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Família de Ontário forçada a pagar estadia num hotel depois de regressar de um funeral em Lisboa

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Cristina Teixeira viajou para Portugal para ir ao funeral do pai em Oeiras, Lisboa, e no regresso a Bowmanville, Ontário, teve de pagar $3.458 por uma noite num hotel para cumprir a quarentena obrigatória para passageiros internacionais. A família Teixeira defende que o plano do governo federal para fazer quarentena num hotel foi “mal concebido” e diz que tem vivido um pesadelo desde que aterraram no Aeroporto Internacional de Pearson, em Toronto.

 

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Família Teixeira. Foto cedida pela familia – Direitos Reservados

 

Em declarações ao Milénio Stadium, a neta, Victoria Russo, de 25 anos, explica que a família tentou pedir uma exceção ao Governo canadiano para no regresso cumprir quarentena em casa, uma vez que se tratava de uma viagem essencial para atender ao funeral do avô. “Nós trocámos e-mails e chamadas telefónicas com a Embaixada do Canadá em Lisboa, com a Health Canada e com a CBSA antes, durante e depois de viajarmos. O Canadá tem uma compassionate travel exemption para qualquer pessoa que tenha de viajar para ir a um funeral, mas o Governo não reconhece que isso é apenas para pessoas que viajam de outros países para o Canadá e não vice-versa. As regras são totalmente invertidas e não favorecem os cidadãos canadianos que podem precisar de viajar para outro país para a ir a um funeral, como foi o nosso caso”, informou.

Cristina Teixeira estava a regressar ao Canadá com o seu irmão e com a filha no dia 27 de fevereiro depois de passar uma semana em Portugal e no Aeroporto de Pearson fez o que lhe pedido, voltou a pedir uma exceção para que o caso fosse reavaliado, mas o pedido foi chumbado. “Como voltaram a negar o nosso pedido para cumprir quarentena em casa tivemos que reservar um hotel na hora. O agente de saúde deu-nos um número direto para um hotel e disse que este tinha mais disponibilidade do que os outros. Não pudemos escolher o hotel e no início disseram-nos que teríamos de pagar $369 por noite e que a estadia mínima eram três noites. Quando chegámos ao hotel o preço aumentou para $700 por noite. A nossa fatura final foi $3.458,67 e depois foi-nos enviado um recibo de $2453.55. Tentámos obter esclarecimentos com o gerente do hotel, mas até agora não tivemos qualquer resposta”, explicou.

O hotel onde a família Teixeira ficou hospedada foi o Crowne Plaza Hotel e a família teve de sair do aeroporto de táxi porque o hotel não os veio buscar, tal como tinha sido prometido em frente ao agente de saúde. A família acabou por ficar apenas uma noite no hotel porque recebeu o resultado dos testes à COVID-19 em menos de 15 horas, mas o hotel cobrou as três noites na mesma.

Victoria admite também que o serviço do hotel não foi o melhor. “O nosso quarto não tinha medidas adicionais para controlar a transmissão do vírus, quando fizemos o check-in não nos informaram sobre nenhuma regra em específico, não nos disseram que tínhamos de permanecer no quarto e aguardar pelas refeições, não pediram a nossa identificação, só verificaram a dos meus tios porque a reserva foi feita com o cartão de crédito deles, não nos perguntaram se tínhamos restrições de dieta ou alergias”, contou.

A família Teixeira acusa o Governo de “permitir que cada hotel pratique o preço que entender” e diz que a indústria se está a aproveitar de canadianos que passam por momentos de dor e stress depois de perderem um familiar em condições completamente atípicas. “Acredito que esta é uma forma da indústria recuperar o dinheiro que perdeu no ano passado devido à pandemia. A entrada do hotel estava cheia de pessoas que não estavam a cumprir a distância social entre si e durante a nossa estadia nenhuma equipa veio verificar se estávamos nos nossos quartos. Quando ligávamos para a receção do hotel eramos completamente ignorados”, lamentou.

Victoria Russo publicou no YouTube um vídeo de quase 15 minutos onde explica os detalhes da viagem inteira e onde percebemos que parecem existir algumas informações contraditórias entre o Governo e as transportadoras aéreas. O vídeo contava quarta-feira (3) com 1,236 visualizações e a dada altura Victoria explica que a TAP Portugal informou a família pelo telefone de que ia ter o embarque negado se não fizesse uma reserva num hotel com antecedência. A jovem de 25 anos refere que, segundo a Transport Canada, foi-lhes transmitida a informação de que não podiam fazer a reserva antes de viajar.

De acordo com a Agência de Saúde Pública do Canadá cabe aos próprios hotéis – e não ao Governo – estabelecer as suas próprias tarifas e que essas tarifas podem sofrer alterações. A regra de quarentena em hotel para passageiros internacionais entrou em vigor no país na semana passada. Todos os passageiros que aterram no Canadá devem pagar três noites num hotel enquanto aguardam pelo resultado do teste à COVID-19. Se o resultado for negativo o Governo permite que os passageiros cumpram a quarentena em casa, mas se o teste vier positivo cabe ao Governo designar um local para os passageiros cumprirem quarentena.

Joana Leal/MS

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