Canadá

Erin O’Toole quer acabar com divisões internas no PC

Erin O’Toole venceu as eleições para a liderança do Partido Conservador (PC) do Canadá. O MP de Ontário, que vai substituir Andrew Scheer à frente do PC, venceu por uma margem de mais de 4.700 votos no passado domingo (23 de agosto). A votação virtual registou um recorde 174.849 votos e O’Toole conseguiu derrotar o ex-ministro conservador Peter MacKay, a advogada de Toronto Leslyn Lewis e o MP Derek Sloan.

No seu discurso de vitória, O’Toole disse que a sua missão é clara: “Unir o partido, defender os princípios conservadores e mostrar aos canadianos que Justin Trudeau e a sua equipa estão a falhar. Vamos continuar a apontar os erros e a corrupção liberal e a mostrar que o Canadá pode e deve fazer melhor”. O’Toole diz estar preparado para ganhar a confiança dos canadianos nas próximas eleições. A indicação de O’Toole ocorreu depois de Andrew Scheer ter recusado continuar na liderança do PC e a escolha dos candidatos decorreu no meio de muita agitação e em plena pandemia de COVID-19.

Mas quem é afinal Erin O’Toole? A primeira incursão de O’Toole na política aconteceu em 2012, depois de uma eleição secundária em Durham, Ontário. O’Toole é um antigo oficial da Royal Canadian Air Force e segundo o seu site de campanha inscreveu-se na RCAF quando tinha 18 anos, serviu em Halifax e trabalhou como navegador tático em missões de busca e resgate. Depois de 12 anos de serviço, O’Toole largou o seu uniforme das Forças Canadianas e formou-se em Direito na Dalhousie University. O’Toole especializou-se em Direito Corporativo e Regulamentação de Energia e trabalhou em empresas como a Stikeman Elliot e a Heenan Blaikie, e também deu consultoria na Procter & Gamble e na Gillette.

Erin O'Toole é o novo líder dos Conservadores - Milenio Stadium - Toronto
Erin O’Toole com a família

Depois de ser eleito, o MP nascido em Montreal tornou-se parte do gabinete do então primeiro-ministro Stephen Harper e assumiu em janeiro de 2015 a pasta de Assuntos dos Veteranos. Mas a experiência no Ministério foi curta porque O’Toole foi substituído em novembro de 2015.

Após uma candidatura à liderança do partido em 2017, na qual terminou em terceiro, O’Toole foi apontado crítico da oposição para as Relações Exteriores, cargo onde se manteve nos últimos dois anos. Seguindo um slogan de liderança que ele descreve como “True Blue Conservative”, O’Toole lançou uma plataforma de 50 páginas para ter o voto de “eleitores suburbanos de classe média, mulheres e novos canadianos”.

As promessas de O’Toole baseiam-se em valores conservadores mais do que os seus concorrentes, com um grande foco na economia canadiana e a sua recuperação da pandemia provocada pela COVID-19. A sua plataforma para a economia inclui a criação de um plano de estabilidade fiscal para equilibrar o orçamento e reverter o aumento de impostos para pequenas empresas. Depois de analisar os surtos de COVID-19 nos lares de idosos, o novo líder do PC compromete-se a criar uma comissão real pandémica para preparar o Canadá para “ameaças futuras”, ao mesmo tempo que defende a criação de uma agenda para garantir que os canadianos voltam ao trabalho e repõem os seus rendimentos.

Várias outras áreas de sua plataforma incluem o aumento da autonomia de Quebec, a criação de um plano de ação para as relações com Alberta e o Ocidente e uma abordagem dura nas relações exteriores, sobretudo com o Governo chinês. O’Toole também se comprometeu a encerrar o Projeto de Lei C-69 que expande o processo de revisão ambiental para grandes projetos, como portos marítimos e instalações nucleares, e quer criminalizar o bloqueio de caminhos de ferro e de portos.

Vários membros proeminentes do PC, como o Premier de Alberta, Jason Kenney, também apoiaram a candidatura de O’Toole. Até ao momento, a campanha arrecadou pelo menos $2,48 milhões, a segunda maior quantia entre os quatro candidatos.

Na terça-feira (25 de agosto) O’Toole fez o seu primeiro discurso depois de ser eleito e disse que vai trabalhar para resolver as divisões regionais no Canadá e construir um partido político mais inclusivo que reflita melhor a população do país. Na sua primeira conferência de imprensa coletiva, O’Toole disse que os canadianos nem sempre se viram refletidos no partido e garantiu que vai mudar isso.

No seu primeiro dia de trabalho, O’Toole lidou com questões de transição e falou com o PM Justin Trudeau sobre a alienação ocidental, o financiamento de uma pandemia de emergência e a decisão do Governo de prorrogar o Parlamento até 23 de setembro. O novo líder não explicou como o seu partido pretende mudar o voto de confiança no discurso de trono, o que poderia desencadear uma eleição, mas disse que é fundamental que o Governo trate da alienação ocidental no seu plano daqui para frente. “Se o Governo continuar a deixar de fora a capacidade de explorar os seus próprios recursos, vamos ver mais alienação ocidental, teremos menos empregos e menos oportunidades para os canadianos em Ontário, no Canadá Atlântico”, afirmou.

No seu discurso depois de ser eleito na madrugada de segunda-feira (24), O’Toole disse que trabalharia para sanar quaisquer divisões internas no partido e ampliar a base de apoio do partido. “Eu acredito que independentemente de você ser negro, branco, pardo ou de qualquer raça ou credo, LGBT ou heterossexual, um índio canadiano ou se ter juntado à família de um canadiano há três semanas ou três gerações, se estiver a ir bem ou mal na sua vida, você é uma parte importante do Canadá e tem uma casa no Partido Conservador do Canadá”, disse.

Durante a campanha eleitoral de outono, o seu antecessor Andrew Scheer foi atormentado com perguntas sobre suas posições conservadoras sociais sobre o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O’Toole garantiu que tem um “histórico claro” quando se trata de direitos humanos porque “ganhou a liderança do Partido Conservador como um MP conservador pró-escolha, que venceu com um mandato forte” e reitera que é assim que vai liderar o PC e é assim que será como primeiro-ministro.

O’Toole diz que vem da classe média, “que não tem um nome famoso” e informa que depois da pandemia, com o déficit recorde nacional, o Canadá vai precisar de um lutador. O’Toole é casado e tem dois filhos.

Joana Leal/MS

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