Canadá

Chantagem sexual sobre jovem imigrante

Uma trabalhadora estrangeira de Edmonton escondeu-se, por medo de retaliação por parte seu antigo empregador e patrocinador de imigração, acusado de coação sexual. “Eu não fiz nada de errado, mas estou a viver a vida de uma criminosa”, disse ela. “Eu tive que deixar tudo só por causa dessas pessoas.”

A mulher de 22 anos disse que o seu ex-empregador tentou que ela tivesse relações sexuais com ele, ameaçando-a de cancelar o seu pedido de imigração, que ele patrocinou.
Ela queria que a sua história fosse conhecida, porque teme que outras mulheres possam estar na mesma situação.
“Essas pessoas pensam que podem fazer qualquer coisa”, afirmou ela.

O homem foi acusado de coação sexual pelo Serviço Policial de Edmonton em dezembro do ano passado.
Como a identidade da mulher é protegida por uma proibição de publicação, vamos tratá-la por Ashna e não daremos nome ao acusado.
Ashna, originária da Índia, mudou-se para Edmonton em dezembro de 2017 para trabalhar na indústria de restaurantes, disse ela.

O dono do restaurante ofereceu-lhe um emprego e concordou em patrocinar o processo de legalização de Ashna sob o Programa Indicativo do Imigrante de Alberta (AINP), uma via legal para acesso ao contingente permanente de residência.
O homem negou as acusações através do seu advogado, Christian Manucci. O acusado ainda não apresentou, no entanto, contestação à acusação de agressão sexual perante um juiz do tribunal provincial.
Ashna foi contratada pelo homem até julho de 2018, quando o restaurante foi vendido a um novo proprietário.
Ela continuou a trabalhar no restaurante para o novo dono, mas a sua aplicação AINP permaneceu ligada ao seu empregador original. “Não tenho escolha”, disse Ashna. “Eu tenho que confiar neles até que o meu caso seja aprovado.”

Ashna estava a trabalhar no restaurante no dia 21 de setembro de 2018, quando recebeu uma mensagem de uma colega de trabalho, que também era amiga, para se encontrarem num apartamento no centro da cidade. Quando Ashna chegou naquela noite, a sua amiga estava com o acusado e outros três homens. Ashna disse que se sentia desconfortável e queria ir embora, mas os homens pressionaram-na a ficar e beber com eles. “Todos começaram a aproximar-se de mim”, disse ela. “Começaram a abraçar-me.”

Ashna disse que foi a um quarto com a amiga para conversar em particular, mas os homens seguiram-nas.
Foi então que o acusado a empurrou para a cama e a agrediu sexualmente, disse. Ashna lutou contra o homem e tentou sair do apartamento. “Todos me queriam manter lá, fazer o que quisessem comigo.”
O acusado e um dos seus amigos seguiram-na até ao corredor do prédio, gritando obscenidades.

Segundo Ashna, o ex-patrão (acusado) também ameaçou cancelar a sua inscrição no AINP se ela não cumprisse os seus pedidos. “Eles gritaram comigo, chantagearam-me, dizendo que se eu não fizesse o que eles queriam, o meu pedido de AINP seria cancelado”, disse.

No dia seguinte, Ashna apresentou uma queixa na polícia e contou aos seus pais o que havia acontecido. Disse ainda que começou a receber telefonemas do seu ex-empregador, pressionando-a a retirar a queixa.
Dois dias depois, enquanto Ashna estava no trabalho, recebeu uma visita dos amigos do ex-patrão que queriam que ela assinasse uma declaração. A declaração dizia que Ashna aceitaria o pedido de desculpas do acusado e retiraria a sua queixa. Também dizia que ele lhe pagaria o salário pendente.
“Chorei muito, eu estava fora de mim. Estas pessoas queriam fazer sexo comigo só por causa da minha residência permanente.”

Ashna chamou um amigo para a ir buscar e correu para fora do prédio. Foi então que se escondeu. Ashna acabou por desmaiar por causa de um ataque de pânico e foi levada para o hospital. Os amigos do acusado seguiram-na até lá, insistindo que ela assinasse a declaração.
“Essas pessoas estavam atrás de mim”, disse Ashna. “Ninguém estava preocupado com minha saúde, com o que estava a sentir, com o que estava a passar. Eles só queriam que os documentos fossem assinados”. Ashna saiu do hospital e escondeu-se, alegando temer pela sua vida.

Fonte: CBC

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