Canadá

Alterações climáticas – que futuro?

Este ano, o calor extremo registou-se um pouco por todo o mundo. Em Portugal, em Lisboa a temperatura do ar atingiu o valor mais elevado desde que há registo: 44 graus Celsius. No Canadá a Colúmbia Britânica sofreu os piores incêndios da sua história.

Como é que chegámos aqui e o que é que temos de mudar nos nossos hábitos para salvarmos o planeta. Darren Patrick é especialista em alterações climatéricas e esteve à conversa com Nuno Miller na “Manhãs da Camões” na Camões Radio.

 

Camões Radio: O aquecimento global é uma realidade?

Darren Patrick:  O clima está a mudar, essa é uma realidade inegável. Apesar do público em geral não ser especialista nesta matéria, a consciência ambiental está a aumentar. Este ano as pessoas acompanharam episódios como as cheias na Índia, o furacão no Havai e uma onde de calor na Europa Ocidental e na Colúmbia Britânica. O nosso desafio é perceber que estes episódios fazem parte de um fenómeno maior que são as alterações climáticas. Em primeiro lugar quando falamos de alterações climáticas referimo-nos ao efeito de estufa, que está diretamente relacionado com o aumento das emissões de CO2 na atmosfera desde a era industrial que começaram no século XVIII. Por um lado temos um “problema natural” e por outro as sociedades criaram um conceito de desenvolvimento e de crescimento económico que assenta na industrialização.

CR: O que é que levou ao aumento do aquecimento global?

DP: As pessoas têm dificuldade em assumir que o ser humano é o principal responsável pelo que está a acontecer. O nosso modelo de desenvolvimento falhou e comprometeu o planeta e as futuras gerações. Temos que fazer aqui uma distinção entre tempo e clima. O tempo é um fator variável baseado nas diferentes estações do ano. Por outro lado, a longo termo quando assistimos a uma mudança continua chamamos a isso alteração no clima. Por exemplo no hemisfério norte, aqui no Canadá e em Toronto, quem pratica jardinagem já percebeu que na última década o clima mudou. Antes as plantas tinham flor mais cedo, o calor e a humidade alteraram os ciclos das plantas.

Temos que repensar o nosso modelo económico que se baseia no capitalismo, na constante extração de recursos e no aumento do lucro.

CR: Alguns países como a Inglaterra e a Alemanha estão a mudar o seu sistema de produção. A indústria e os países têm a obrigação de produzir sem destruir o planeta?

DP:  Alguns dos principais poluentes, independentemente de serem públicos ou privados, estão conscientes das consequências e das limitações. A extração de combustíveis fósseis aumenta a emissão de gases atmosféricos e afecta a saúde pública dos habitantes que estão próximos destes locais. Em 1990 a preocupação era com a diminuição da poluição atmosférica. Mais tarde o governo criou imposições à produção industrial na tentativa de recuperar a camada do ozono. É muito importante reconhecer o mérito destas medidas para incentivar a adoção de tecnologias limpas. Mas não deixa de ser irónico que muitas das forças que defendem esta mudança, sejam elas próprias os maiores investidores em indústrias poluentes. E um grande exemplo são as petrolíferas que investem em consultoria para avaliar o impacto das alterações climatéricas a longo prazo, quando na verdade elas são um dos principais poluentes.

CR: No entanto algumas pessoas continuam a não mudar os seus hábitos.

DP: É frustrante e uma grande desilusão. O clima não tem fronteiras nacionais, é um assunto global. Muitos governos não estão dispostos a assumir a responsabilidade porque só pensam no lucro. O próprio Canadá continua a ser extremamente dependente dos combustíveis fósseis. O Canadá é um país verde que contribui para pesquisa sobre alterações climatéricas, mas, ao mesmo tempo, Justin Trudeau aprovou o gasoduto da Trans-Mountain, na costa oeste, que significa que o governo quer continuar a investir neste sector, mesmo indo contra os direitos dos indígenas.

A liderança do presidente norte-americano Donald Trump, se é que podemos chamar isso, abandonou as políticas verdes para voltar a tornar a economia dependente do carvão.

Apesar dos países do hemisfério norte serem os principais poluentes, os países do hemisfério sul também acabam por sofrer com estes níveis de poluição.

CR: O que é que acha que o futuro nos reserva?

DP:  Isto é sempre uma questão desafiante quando ouvimos falar muito sobre catástrofes naturais. Trabalho principalmente com alunos do 1.º ano da Universidade de York e focamo-nos na forma como as pessoas vêem estas mudanças a longo prazo. Estou optimista porque a nova geração tem mais preocupações ambientais e além disso cada vez mais pessoas reconhecem que os humanos têm uma certa responsabilidade.

Temos que ser responsáveis pelas nossas ações, essa é a mensagem mais importante para o público em geral.

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