Pó e pólenes são as alergias mais comuns

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O pó e o pólen são algumas das alergias ambientais mais comuns na maioria dos países. Esta semana fomos tentar perceber se é possível ultrapassar ou minimizar as crises alérgicas e falámos com Rui Martins, médico de família em Toronto.

Milénio Stadium: Porque é temos alergias ambientais?

Rui Martins: As alergias ambientais são reações do sistema imunológico. São substâncias que circulam no ar e que fazem reação nos olhos, no nariz, na garganta e nas vias respiratórias.

MS: Como é que podemos lidar com as alergias?

RM: A predisposição para as alergias é genética. Pessoas que têm alergias com frequência têm um ou os dois pais afetados. Há alergias sazonais que são causadas por determinadas plantas. Por exemplo aqui em Ontário uma das alergias mais frequentes é a ambrósia (ragweed). Mas também podemos ter alergias o ano inteiro, como é o caso do pó ou do pêlo de cão ou gato. E depois existem pessoas que são alérgicas a uma determinada substância que só se manifesta quando estão em contacto com ela. O pólen é uma dessas substâncias.

MS: E sobre as injeções de alergias?

RM: Na imunoterapia treinamos o corpo para reagir menos às substâncias que causam alergia. Esta técnica é utilizada nas alergias sazonais, para combater o veneno de abelha, etc.

MS: É possível viver diariamente com uma alergia?

RM: A qualidade de vida vai ser muito afetada, mas não é impossível. Por exemplo se a pessoa for alérgica a pêlo de gato e tiver um animal de estimação vai sofrer com corrimento nasal, comichão, espirros, asma, falta de ar, tosse, pieira, etc. Provavelmente vão ter de recorrer ao uso de medicamentos, visto que vão lidar diariamente com a alergia.

MS: Como é que sabemos que somos alérgicos a uma determinada substância?

RM: Depende muito dos casos, às vezes é fácil, outras vezes nem tanto. Se as crises começaram depois de adquirir um animal normalmente está relacionado. Por outro lado, se são mais intensas num determinado período do ano em que sabemos que há mais pólenes há uma grande probabilidade de ser essa a razão. No caso do ragweed, normalmente as crises surgem no final do verão e melhoram ou desaparecem quando começa a ficar frio. Mas quando alguém está a limpar a casa e começa a espirrar é porque é alérgico a pó.

MS: Mas existem testes.

RM: Os alergistas fazem testes que determinam a que substâncias é que a pessoa é alérgica. É um teste simples em que o especialista pica a pele com a substância em questão. Os pólenes e os pêlos são as substâncias que fazem parte do kit obrigatório dos alergistas.

MS: Algumas alergias são mais frequentes em determinadas áreas geográficas.

RM: Quase todo o planeta tem plantas e elas produzem pólen por isso as pessoas desenvolvem alergias.  No caso dos portugueses, quando mudam para o Canadá podem sentir melhorias porque os pólenes são diferentes. Mas com o passar do tempo acabam por adquirir outras alergias características de cá.

MS: Os seus pacientes queixam-se de alergias?

RM: Não é muito frequente, mas depende da época. Quando se queixam no verão já sabemos que é ragweed, quando é na primavera já sabemos que são os pólenes. Normalmente não prescrevemos o teste porque observamos os sintomas do doente e o tratamento é igual na maioria dos casos.

MS: Quais é que são os grupos de risco?

RM: Vou dividir em dois grupos – parte respiratória inferior e superior. Nariz e garganta correspondem às partes superiores respiratórias, enquanto que os brônquios são a parte inferior. Os sintomas mais preocupantes são os que afetam os brônquios porque podem agravar a asma.

MS: O reforço da alimentação melhora as crises de alergias?

RM: Há interação entre pólenes e certos alimentos. Mas a alimentação não melhora os sintomas das alergias. Geralmente quando as pessoas são alérgicas os conselhos básicos que damos é para evitar ou minimizar o contacto com a substância. No caso de serem alérgicos ao pólen é permanecerem no interior e evitarem as horas de maior exposição. No caso de serem alérgicos a pó recomendamos que utilizem poucas carpetes, que aspirem regularmente a casa e as próprias fontes de aquecimento.

Source:Joana Leal/MS
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