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Pequenas empresas empregam quase 70% dos canadianos

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Esta semana um empresário de Etobicoke foi notícia porque decidiu violar as ordens provinciais e informou os seus clientes que continuava a servir refeições no Adamson Barbecue. Na segunda-feira (23) Toronto e Peel entraram em confinamento, o que significa que os restaurantes estão autorizados apenas a fazer take-out e a maioria dos pequenos retalhistas não tem autorização para abrir, ao contrário de grandes superfícies como Costco, Walmart ou Home Depot. 

O Milénio Stadium foi tentar perceber como estas novas regras que vão estar em vigor até 21 de dezembro estão a afetar os pequenos empresários. Paredes meias com o Adamson Barbecue está a Indigital Group, uma agência que é focada em marketing digital. Em declarações ao nosso jornal o empresário reconheceu que das várias empresas que detém, esta não foi a que mais sofreu com a pandemia. “Na Flowers Canada e na Dolce Chocolate as quebras foram muito maiores porque não vendemos produtos essenciais. Quando há uma crise financeira e as pessoas perdem o emprego, como está agora a acontecer com a pandemia, as pessoas não compram flores e chocolates. Apesar de os políticos apelarem à população para comprarem localmente a verdade é que para as pessoas mais velhas o preço conta muito na hora de comprar”, informou Cesário Ginjo.

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Depois do primeiro confinamento de março seguiram-se meses de novas recomendações de saúde pública e a indústria dos casamentos e dos funerais praticamente desapareceu. O teletrabalho e o e-commerce emergiram no Canadá e no mundo como o novo modelo de negócio. Ginjo não se surpreendeu porque quando lançou a Flowers Canada no mercado há 20 anos já tinha criado um modelo 100% online. “Naquela altura o online era muito caro, hoje as soluções são muito mais acessíveis, mas mesmo assim os pequenos empresários têm dificuldade em navegar nesta área e empresas como a Shopify aproveitam-se”, apontou.

Depois de registar quebras de 70% na empresa de venda de flores, Cesário espera recuperar no Natal e no Dia dos Namorados. “As pessoas compram flores sobretudo em aniversários, Dia dos Namorados, Dia da Mãe e no Natal. Em dezembro fazemos 50% das nossas receitas e esse dinheiro ajuda-nos a sobreviver durante o resto do ano. Mas um novo confinamento pode mudar tudo, de qualquer forma em fevereiro vou apostar num novo modelo. O Gifty vai ser uma plataforma online onde as pessoas vão poder comprar desde os nossos chocolates às nossas flores a outros produtos que considerem que sejam bons para oferecer”, contou.

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Dolce Chocolate. DR

Na Dolce Chocolate a empresa estava a preparar-se para trazer para o mercado canadiano uma nova marca de chocolates belgas, mas a pandemia mudou os planos. “Já tinha investido em equipamento e tinha contratado um chocolateiro com experiência da Lindt, o próximo passo era chegar ao Costo e ao Metro, mas agora está tudo suspenso. Reduzimos funcionários e cortámos horas, mas acredito que depois desta pandemia vamos voltar ainda mais fortes”, disse.

A Jason’s Bakery, antiga Jack’s Bakery no 352 Oakwood Ave, tinha apostado numa identidade e num novo conceito quando a pandemia surgiu. “Tive de cortar horas e despedir pessoas porque não conseguia beneficiar de nenhum dos apoios porque era uma empresa nova. Mas antes deste novo confinamento, em junho tínhamos começado a trabalhar 24 horas por dia e os sete funcionários estavam com as horas totais. Agora voltámos ao take-out, de domingo a quarta-feira abrimos das 4 am à meia-noite e de quinta-feira a sábado estamos abertos 24 horas por dia”, adiantou Jason Carvalho.

A operar atualmente com poupanças o empresário diz que deveria ser mais fácil recorrer aos apoios e pede às pessoas para comprarem localmente. “Os dois governos estão a fazer um grande trabalho, mas para os empresários não é fácil aceder aos apoios. Acabei de descobrir pelo meu contabilista que nos podemos candidatar ao Regional Relief and Recovery Fund, mas a grande questão aqui é saber como vai ser 2021. As grandes superfícies aumentaram as receitas com a pandemia, nós, as pequenas empresas, é que estamos a sofrer mais. Queria apelar às pessoas da comunidade portuguesa para comprarem localmente. Agora com o Natal vamos fazer bolos reis por isso encomendem os vossos produtos na nossa empresa”, disse.

O novo conceito da Jason’s Bakery é apostar em produtos de qualidade a preços razoáveis e em breve a pastelaria vai estar disponível nas redes sociais e nas aplicações de entrega de comida ao domicílio.

O Milénio Stadium tentou o contacto com outras empresas portuguesas de diferentes áreas, mas apesar da insistência não foi possível obter reações. A Canadian Federation of Independent Business (CFIB) que representa 110,000 membros em todo o país, 42,000 em Ontário, acredita que as novas regras que não autorizam os pequenos empresários a abrir são injustas. O retalho é o setor da CFIB com mais membros, cerca de 24,800 a nível nacional e cerca de 71% dos seus membros têm uma atividade aberta há mais de 10 anos.

Dados de Otava indicam que em 2015 o Canadá tinha 1,15 milhões de pequenas empresas e mais de 417,000 estavam localizadas em Ontário, a província em todo o país com maior concentração de pequenas empresas. Segundo o Statistics Canada é aqui que trabalham quase 70% canadianos, as médias empresas empregam apenas 19,9% e as grandes 10.4%.

Joana Leal/MS

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