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Duplicam os crimes sexuais contra crianças na Internet

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Muitos dos menores são aliciados através das redes sociais, como o Facebook. Foto: Pedro Correio/Global Imagens

PJ regista aumento exponencial de queixas por pornografia de menores ou chantagem online desde o início da pandemia.

Os confinamentos por causa da covid-19 travaram a pandemia, mas também fizeram duplicar o número de crimes sexuais na Internet que a Polícia Judiciária (PJ) está a investigar. São casos de pornografia de menores, de aliciamento de crianças, de extorsão ou vingança sexual que fizeram milhares de vítimas no ano passado. Só no Norte, os crimes online visando apenas crianças aumentaram mais de 150% e a realidade é transversal ao resto do país, segundo revelou ontem a PJ, antecipando o Dia da Internet Mais Segura, que se assinala hoje.

O isolamento das crianças e adolescentes em casa deixa-as mais expostas aos perigos da Internet, sobretudo nas redes sociais. Aliciados por adultos que se fazem passar por menores ou enviando imagens íntimas a amigos ou namorados que vão parar às mãos de terceiros, o número de menores vítimas não para de crescer.

O enorme aumento deste tipo de crimes, com especial incidência na pornografia de menores, traduz-se, na Diretoria do Norte da PJ, em 396 casos registados no ano passado, enquanto que, em 2019, foram 161. “É um fenómeno preocupante”, admite Norberto Martins, diretor da PJ do Porto. “A Internet e a privacidade detestam-se. Mas detestam-se mesmo”, alerta este responsável.

Por isso, a aposta foca-se na prevenção. “Estamos novamente num período de confinamento. As crianças estão de novo em casa o dia todo e a probabilidade de os jovens serem vítimas deste tipo de criminalidade é maior. Os números indicam exatamente isso. A vigilância parental é fundamental e os jovens têm de perceber que não devem partilhar nada de íntimo”, reforça Norberto Martins.

“Monitorização dos pais”

Também Delfim Torres, coordenador de investigação criminal da PJ do Porto nesta área específica, reforça a ideia. “É preciso informar os jovens de que tudo aquilo que eles partilham deixa de ser deles para a ser de todos. E quando se dá um telemóvel a um filho abre-se uma porta. Há muitas crianças que ainda não são maduras para isso. Tem de haver uma verdadeira monitorização por parte dos pais”, adiantou o coordenador.

Também os cerca de 500 inquéritos envolvendo apenas crimes sexuais que estavam em investigação na Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica (UNC3T) da PJ, em janeiro de 2020, foram multiplicados por dois. “De facto, há uma tendência de subida acentuada neste tipo de criminalidade. Sensivelmente para o dobro”, explicou ao JN Carlos Cabreira, diretor da UNC3T, ressalvando que as vítimas não são apenas crianças. “Os casos de extorsão ou vingança sexual visam muitos adultos”, exemplificou.

Metade de todos os crimes

Mas a criminalidade online vai muito para além dos crimes sexuais. Em 2020, na PJ do Norte, ilícitos como burlas nos pagamentos online com cartões de crédito ou por MB Way, sem esquecer a devassa dos e-mails ou os pedidos de resgate de computadores bloqueados por piratas, representaram mais de quatro mil participações. Ou seja, mais de 50% do total dos crimes registados, números que se têm mantido estáveis.

Criminosos passaram para as redes sociais

Se os crimes sexuais cometidos através da Internet aumentaram, a mesma tendência não se verifica na criminalidade online em geral. Em 2020, os ciberataques, os casos de phishing, de pedidos de resgate ou de burla com os meios de pagamentos eletrónicos, como o MB Way mantiveram sensivelmente os mesmos números que em 2019. Na UNC3T, por exemplo, as burlas com meios de pagamento levaram a abertura de sete mil investigações, sendo as transações por MB Way as mais típicas. Ainda assim, os criminosos tentam evoluir. Notou-se uma migração dos casos de phishing (roubo de dados pessoais). Os criminosos enviavam e-mails fraudulentos em nome de entidades credíveis para levar os lesados a fornecer dados, agora usam as redes sociais.

JN/MS

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