Madeira

Homem que matou ex-cunhado começa a ser julgado

Narciso Vasconcelos, o homem que começou esta manhã a ser julgado pelo homicídio do ex-cunhado em Maio do ano passado, numa casa do Beco da Jacinta (Viveiros), assumiu no tribunal do Funchal a autoria do crime mas negou tê-lo premeditado e alegou ter sido antes agredido pela vítima que ficou zangada por ter ficado uma luz acesa.

Perante um colectivo de juízes presidido por Filipe Câmara, o arguido, de 48 anos e divorciado, descreveu que teve de deixar a casa da mãe no início do ano passado e que foi o ex-cunhado, Henrique Sousa, quem o acolheu na referida casa na zona dos Viveiros. Pagava-lhe 100 euros por receber aquele ‘tecto’. No entanto, ambos tinham graves problemas de alcoolismo e Henrique Sousa ditava-lhe regras sobre questões domésticas e era violento quando não as cumpria. “Às vezes” tinham discussões. Segundo o arguido, foi isso que aconteceu num sábado à noite no final de Maio de 2018. Depois de passarem todo o dia a beber vinho, Henrique Sousa zangou-se por Narciso ter deixado a luz da cozinha acesa e deu-lhe “uma chapada” na cara. Depois envolveram-se numa luta e o arguido admitiu ter agarrado num frasco de desodorizante (feito em material de vidro duro) e com o mesmo ter desferido uma pancada na cabeça do ex-cunhado, que caiu e ficou à altura da sua cintura. Nessa altura, o agressor deu-lhe uma patada de cima para baixo na cabeça. Mais tarde, já pelas 04h00 de madrugada de domingo, Narciso Vasconcelos apercebeu-se que a vítima tinha morrido e decidiu livrar-se do corpo. Perante o tribunal, descreveu com algum pormenor a forma como cortou o corpo com uma pequena serra de arco, meteu as várias partes em sacos de plástico e deitou-as através de uma gateira para um espaço de arejamento da cozinha. Recorde-se que os restos mortais só viriam a ser descobertos duas semanas depois, já que a PSP foi alertada do desaparecimento da vítima mas não detectou sinais de crime nas duas visitas que realizou à casa.

Os juízes confrontaram o arguido com algumas inconsistências na sua versão dos acontecimentos, designadamente a existência de ferimentos na zona do pescoço da vítima e um cinto com vestígios de sangue. Narciso não conseguiu dar uma explicação coerente para estes factos. Também afirmou que nunca teve episódios de agressão, mas foi desmentido com várias testemunhas a relatarem os problemas que protagonizou de violência doméstica, que levaram inclusivamente a sua ex-mulher (irmã da vítima mortal) a fugir duas vezes de casa.

O julgamento prossegue esta tarde, no Juízo Central Criminal do Funchal (Edifício 2000), com as testemunhas de defesa e alegações finais.

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DN Madeira
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