Açores

Vila Galé investe 10 ME em Ponta Delgada

Dez milhões de euros é o valor que o Grupo Vila Galé prevê investir na construção do novo hotel no edifício histórico da Santa Casa da Misericórdia de Ponta Delgada. Trata-se do primeiro investimento da marca nos Açores, que pretende trazer um “novo fluxo de turistas” para a ilha de São Miguel, avançou ontem o administrador do grupo hoteleiro, em Ponta Delgada.

A unidade hoteleira, que ocupará o espaço do antigo hospital, na Praça 5 de Outubro, Campo de São Francisco, “vai ter 100 quartos, espaços de lazer, como restauração, bar, um spa e piscinas, e deverá representar – com estimativas ainda muito por alto – um investimento na ordem dos 10 milhões de euros”, revelou aos jornalistas Gonçalo Rebelo de Almeida, na apresentação do hotel aos jornalistas, em conferência de imprensa.

O responsável adiantou que o hotel tem uma previsão de abertura para o “final de 2021”, “sujeita a todas as condicionantes e prazos legais das entidades oficiais”. “É esta a nossa expectativa e obejctivo e é para isso que vamos trabalhar”, garantiu.

O administrador do grupo Vila Galé, que conta com 34 hotéis (25 em Portugal e nove no Brasil), salientou que marcar presença nos Açores era uma pretensão antiga que finalmente foi possível concretizar.

“Temos tentado ter uma cobertura por tudo o que são pontos de atracção turística no território nacional. Das sete regiões turísticas só ainda não estávamos nos Açores. Fizemos três ou quatro tentativas nos últimos 12 anos. Nunca foi possível por diversas razões, mas estamos contentes porque encontramos aqui um edifício que preenche todos os nossos requisitos, que têm sido na ordem de reabilitar património histórico”, afirmou Gonçalo Rebelo de Almeida.

O administrador referiu ainda que, segundo a experiência obtida em outras regiões do país, será possível “trazer um fluxo de turistas novo” para São Miguel. “O nosso objectivo não é chegar e dividir o fluxo que já existe. Queremos trazer novos fluxos, de mercados onde a marca já é conhecida”, acrescentou.

A construção do hotel no edifício da Santa Casa da Misericórdia resultou de um projecto apresentado no âmbito do Concurso de Ideias lançado pela instituição.

“A nossa base [para a construção do hotel] vai ser o pré-projecto que foi desenvolvido no âmbito do Concurso de Ideias, que resulta do aproveitamento das áreas existentes, com a optimização de alguns espaços”, explicou Gonçalo Rebelo de Almeida. “A componente do hotel novo vai abranger todas estas instalações da Santa Casa. Vai ser confinada a uma zona desta edifício e na envolvente do claustro”, frisou, sublinhando estar uma equipa técnica do grupo a “fazer um levantamento, para alguns ajustes a melhorar”.

“Dentro de 60 a 90 dias” a empresa pretende ter o projecto pronto para ser entregue na Câmara Municipal. Gonçalo Rebelo de Almeida disse ainda que a unidade hoteleira será “emblemática”, por destacar a vertente histórica do espaço, e não colocou de parte a eventual aposta em novos projectos nos Açores.

Para o responsável, a aposta na Região vem complementar a oferta da marca, por se diferenciar de outras regiões do país. “Os Açores, dentro das regiões turísticas, é um produto que não é coincidente com a Madeira, Lisboa, Porto ou Algarve, e portanto é complementar. [A Região] Tem vindo a apostar muito numa óptica dirigida ao turismo de natureza, com alguma componente de património histórico, mas com uma base muito ligada ao ambiente e à sustentabilidade. Temos clientes que procuram este tipo de produto”, garantiu. Além disso, continuou, “pelo que se tem vindo a ver nos últimos três a quatro anos, ainda estão numa fase de progressão. Achamos por isso que faz sentido poder acrescentar valor, porque acreditamos que há ainda potencial de crescimento no número de turistas nos Açores”.

A conferência de imprensa decorreu no dia em que foi assinado o contrato entre a Santa Casa da Misericórdia de Ponta Delgada e o Grupo Vila Galé. Na ocasião, o provedor da instituição, José Francisco Silva, manifestou satisfação com o projecto, destacando a mais-valia que haverá para a Santa Casa e para a comunidade.

“A actividade da Misericórdia tem a obrigação de se manter e de perdurar no tempo. Para isso, são necessários meios. Este edifício é dos maiores dos Açores e não é fácil manter. É uma riqueza patrimonial muito grande, mas não é uma riqueza em numerário”, afirmou, acrescentando que, “neste contexto, a Santa Casa terá uma contrapartida de renda e na execução de uma obra importante para a Santa casa que é a sua sede administrativa, que será deslocalizada do actual edifício”.

José Francisco Silva destacou que a unidade hoteleira permitirá a criação de emprego e uma “alteração importante nesta zona da cidade de Ponta Delgada”, com “uma actividade que é importante para a economia de Ponta Delgada, de São Miguel e dos Açores”.

Diário dos Açores

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Diário dos Açores

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