Açores

Tráfico de cocaína das Caraíbas passa essencialmente pelos Açores

Um relatório da Europol e da União Europeia sobre o mercado e tráfico ilegal das drogas revela que as principais redes cocaína usam as ilhas portuguesas dos Açores e da Madeira como pontos de passagem. De acordo com o relatório, noticiado pelo Expresso, muita desta droga surge em barcos de recreio nestas regiões e depois segue para o continente europeu.

A cocaína que chega aos Açores é proveniente das Caraíbas enquanto a que passa pela Madeira vem de destinos mais a sul, mais concretamente da região da África Ocidental, acrescenta a fonte.

A mesma publicação indica que as autoridades caçaram 142 toneladas de cocaína em todo o continente europeu em 2017, um número recorde. Deste total, Portugal apresenta 2,7 toneladas apreendidas.

Um número elevado mas ainda assim longe dos recordistas Bélgica (45 toneladas) e Espanha (41). Também a França, com 17,5 toneladas, apresenta números impressionantes. Um pouco mais abaixo ficou a Holanda (14,6), Alemanha (8) e Itália (4).

A nível nacional, Portugal surge na linha da frente nas apreensões de plantas de cannabis no continente europeu, juntamente com Bélgica, Grécia, Espanha, Luxemburgo, Malta e Noruega.

Apesar de as duas regiões autónomas portugueses estarem a perder importância como áreas de trânsito para as máfias, as suas águas são ainda utilizadas por muitas embarcações que transportam a segunda droga mais utilizada no continente europeu: em 2017 o mercado ilegal relacionado com este estupefaciente movimentou 9.1 mil milhões de euros. A canábis, a mais consumida, terá gerado 11.6 mil milhões de euros.

Um exemplo que justifica estas preocupações é dado pela descoberta este fim de semana de um narcosubmarino na costa espanhola que transportava três toneladas de cocaína desde a Colômbia e que terá passado por Lisboa.

No domingo, as informações disponibilizadas pelas autoridades espanholas apontavam como causa para a detecção da embarcação – a primeira deste tipo detetada em águas europeias – alguma avarias que terá sofrido tal como a falta de combustível.

Já referenciado pela Polícia Judiciária, acabou cercada pelas forças de segurança espanholas. Os três tripulantes saltaram para a água e deixaram a escotilha aberta para que a embarcação submergisse.

Este caso surge assim como o exemplo da importância dos dados recolhidos pelas autoridades e dos alertas que estas têm feito para o constante aumento do poder dos grupos criminosos que fazem do tráfico de droga o seu principal “negócio”, ao qual associam o tráfico humano e de armas. Referências que estão bem expressas no relatório “EU Drug Markets Report” que foi apresentado na manhã de ontem em Bruxelas pela Europol e pelo Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência.

Nesta terceira edição – a análise dos mercados europeus de droga e as suas tendências é feita em períodos de três anos em que a primeira surgiu em 2013 – são feitos diversos alertas para a importância cada vez maior que as máfias estão a ter na sociedade europeia e o impacto das suas acções num mercado em que há cada vez maior quantidade de drogas, tanto as tradicionais como sintéticas, e com maior pureza.

Os especialistas destas duas agências chamam a atenção também para o facto de as redes criminosas que efectuam o tráfico e a venda de drogas estarem a utilizar formas de distribuição e venda cada vez mais inovadoras deixando os canais tradicionais de distribuição.

Utilizam a Dark Web, os programas de mensagens encriptados – como o WhatsApp e o Telegram – para comunicar entre si e os modos de venda estão a mudar passou da compra na rua para a entrega num local indicado pelo consumidor onde a droga chega por via postal ou por uma empresa de entrega de encomendas.

Alterações de comportamento que também levam a novos desafios no que diz respeito às legislações europeias, aos serviços públicos de saúde – em 2017 registaram-se mais de 8200 mortes associa- das a overdoses – e à forma como as autoridades policiais podem vigiar e investigar estes grupos.

No documento de 258 páginas é feito um retrato das tendências relacionadas com tráfico e consumo baseadas na recolha de informações por parte das policias e das suas operações.

Reportando-se na grande maioria dos pontos a dados de 2017, o documento chama a atenção para a rapidez com que este mercado evolui e as constantes alterações que gera.

Diário dos Açores

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