Açores

Romeiros do Canadá participam nas romarias dos Açores

Os ranchos de romeiros que começarão a percorrer as estradas de São Miguel na madrugada do próximo dia 29 de Fevereiro, data em que se iniciam as romarias quaresmais, levam na bagagem um pedido expresso do bispo de Angra e Ilhas dos Açores de rezarem pela defesa e cuidado da vida humana.

Numa altura em que, no parlamento, os deputados aprovaram, na generalidade, a lei que permite a despenalização da Eutanásia, os romeiros estão interpelados por D. João Lavrador a rezar “pela vida humana para que seja cuidada e defendida em todas as fases, desde a gestação até à morte natural” diz a 13.ª intenção proposta pelo bispo diocesano, num conjunto de 14.

A 14.ª intenção está, aliás, intimamente ligada com esta já que o bispo pede aos romeiros que rezem “por todos os que estão investidos em autoridade para que governem servindo a dignidade da pessoa e o bem comum” refere o prelado pedindo uma oração especial pela Caminhada Sinodal “para que seja manifestação da beleza de caminharmos juntos em Cristo”.

Aos 55 ranchos, mais ou menos 2500 homens, que este ano sairão na Quaresma, naquela que é porventura a maior e mais especifica manifestação de religiosidade penitencial no arquipélago, D. João Lavrador deseja que as romarias “decorram bem, sejam tempo de santificação pessoal e comunitária” e deixa outras intenções como seja a oração pelos “sacerdotes, vocações, famílias, crianças e jovens, doentes e excluídos”.

A renovação da Igreja e o Santo Padre (a quem os Romeiros já entregaram um Ramalhete espiritual em 2014) também estarão nas intenções dos romeiros a pedido expresso do bispo diocesano.

Às intenções do bispo de Angra somam-se as intenções particulares que cada romeiro leva consigo e todas aquelas que à passagem pelas comunidades vão recebendo através do Procurador das Almas, uma das figuras do rancho que vai tomando nota das intenções deixadas por quem se cruza na estrada com estes penitentes que do nascer ao pôr-do-sol percorrem as principais estradas de São Miguel em oração.

Também os romeiros das ilhas Terceira e Graciosa seguirão estas intenções diocesanas. Apesar de mais recentes, e com dimensão adequada à natureza das ilhas, estas romarias desenvolvem-se também na Quaresma e de acordo com o mesmo regulamento de São Miguel.

Dos 55 ranchos que este ano saem em São Miguel há um que vem da diáspora, de Santa Maria de Toronto, no Canadá. Este ano também não sairá o rancho de Santa Bárbara da Ribeira Grande e reentrará na romaria o rancho de Água Retorta.

A Direcção do Movimento deixa na sua página online as habituais recomendações para que “ sejam instantes marcados pela humildade e pelo amor em Cristo, que toquem o coração de cada pessoa que escuta o cantar dolente da Ave-Maria, nos oito dias de caminhada. Seja um retiro que nos transforme em seres mais humanos, pessoas mais fiéis a Cristo, disponíveis para servir o Reino de Deus em comunhão com a Igreja Católica”.

“A romaria é uma especial preparação para a Páscoa de Jesus, em que Ele, ainda hoje, Se oferece por nós até à última gota de sangue. Em união com Ele, oferecemos a nossa vida ao Pai celeste, para que ela seja também uma passagem da morte à vida, em benefício próprio e dos que vivem connosco na família, no trabalho e na sociedade” dizem os responsáveis, sublinhando que “um romeiro cristão participa nas cerimónias da Semana Santa, especialmente no Domingo de Ramos, na Quinta-feira Santa, na Sexta-feira Santa e na Vigília Pascal”.

Para a romaria deste ano, apresentam 10 importantes recomendações, umas de natureza comportamental – obediência, humildade, espírito de partilha, respeito pelos outros e pelo ambiente, espírito de recolhimento e oração – até às questões de ordem logística como as pernoitas, o caminhar na estrada em condições de absoluta segurança.

“A qualidade de uma romaria vê-se nos seus frutos, ou seja, no esforço para sermos pessoas renovadas, cristãos novos, católicos praticantes, ao longo de todo o ano, que é a verdadeira romaria da vida. Em comparação com a romaria da vida, que nos apresenta desafios sérios, a romaria quaresmal não passa de um leve passeio” reafirmam os responsáveis.

As romarias quaresmais de São Miguel completam 500 anos em 2022. Actualmente o movimento desenvolve uma série de iniciativas para resgatar e perpetuar a memória destas movimentações penitenciais, que começaram por reacção aos sucessivos cataclismos com que a ilha foi brindada.

Estas romarias quaresmais, segundo a tradição, tiveram origem na sequência de terramotos e erupções vulcânicas registados no século XVI na ilha, que arrasaram Vila Franca do Campo e causaram grande destruição na Ribeira Grande.

Os ranchos tradicionais, onde só homens podem participar (surgiram entretanto romarias de mulheres, mas na maioria duram apenas um dia), são organizados e devem cumprir um percurso, sempre com o mar pela esquerda, passando pelo maior número possível de igrejas e ermidas de S. Miguel.

A média de elementos de cada grupo ronda os 50 homens. Durante o período em que estão na estrada, os romeiros dormem em casas particulares ou em salões paroquiais, devendo iniciar a caminhada antes do amanhecer e entrar nas localidades logo a seguir ao pôr-do-sol.

Os primeiros 11 ranchos saem para a estrada no fim-de-semana a seguir à Quarta-feira de Cinzas e os últimos regressam às suas localidades na Quinta- feira Santa.

Diário dos Açores

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