Açores

Pilotos da SATA Internacional aprovaram recusar trabalhar em folga e férias

Os cancelamentos recentes por falta de pilotos (como admitiu ontem a administração da SATA), devem-se também a uma espécie de “greve de zelo”, que foi aprovada pelos pilotos da SATA Internacional numa reunião realizada em 11 de Junho.

Segundo apurou o nosso jornal, os pilotos reuniram-se em “Assembleia de Empresa”, na sede do SPAC (Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil), e deliberou “manter as formas de pressão e correspondente ao exercício de direitos” contra a administração da SATA, aprovando quatro pontos:

“- Não aceitação de trabalho em folga/férias e dias de compensação de feriados;

– Não aceitação de alterações ao planeamento e às escalas publicadas;

– Pedido de folgas em atraso;

– Exigência da publicação das folgas de acordo com o AE.”

Esta reunião, de acordo com as mesmas fontes, teve “elevada participação de Associados”, em que mais de dois terços dos Pilotos associados “votaram favoravelmente esta proposta sem qualquer voto contra”.

Baixas médicas e recusas em substituição

De acordo com fonte conhecedora deste processo, “na prática, quando um dos pilotos certificados para operar no Pico e Horta metem baixa, como não há um número suficiente de pilotos para fazer uma escala em standby, a SATA fica dependente da boa vontade dos pilotos”.

Até Maio os pilotos acediam a fazer os voos de substituição sem problema, mas depois da referida reunião, não houve mais disponibilidade.

Alguns dos recentes cancelamentos terão sido motivados por baixa médica de comandante ou co-piloto, e pelo facto de ninguém aceitar fazer a substituição.

A reunião na sede do SPAC serviu ainda para os pilotos tomarem conhecimento de alguns aspectos relacionados com o progresso das negociações com a administração da SATA, onde foi apresentada uma carta enviada à administração da empresa no dia 7 de Junho, que a dado passo diz o seguinte:

“A proposta agora apresentada de teor minimalista não só não se aproxima dos objectivos definidos pelos Pilotos para esta negociação, que tem em conta os vários anos sem aumentos salariais, como introduz factores de distorção naquilo que são as relações entre os trabalhadores e a empresa. Na verdade, condicionar os aumentos aos resultados da empresa sem que os Pilotos participem na decisão de gestão ou possam influenciar o rumo da empresa implica transferir para os Pilotos um risco que não controlamos e como tal não aceitamos. O histórico de decisões de gestão que os Pilotos criticam e que muito tem contribuído para a situação da empresa é um bom factor para tornar inaceitável a proposta. No limite os erros de gestão seriam suportados pelos Pilotos; trata-se de uma proposta inaceitável, irrealista e desajustada das condições reais.”

Como avançou a proposta de greve

Foi nesta sequência que a administração convocou, depois, uma nova reunião para 12 de Junho, que os representantes dos pilotos dispuseram-se a participar, mas avançaram de imediato com outras deliberações, que transcrevemos:

“Nos termos do artigo 54.o dos Estatutos dos SPAC compete à Assembleia de Empresa declarar a greve na SATA.

Neste contexto, a Assembleia de Empresa da SATA Internacional reunida no dia 11 de Junho de 2019, após ter discutido os termos da negociação em curso com a empresa e apreciada a última proposta apresentada pela Empresa, rejeita a mesma qualificando-a como inaceitável.

A Assembleia de Empresa con- sidera ainda que as negociações em curso encontram-se num impasse, não tendo a empresa mostrado uma clara intenção de negociar uma revi- são global do Acordo de Empresa.

Neste contexto, a Assembleia de Empresa delibera mandatar a Direcção do SPAC para declarar greve para todos os fins-de-semana de Julho e dias a determinar em Agosto de 2019 com o limite de oito dias por indicação da Comissão de Empresa e em função da avaliação do decurso das negociações, caso não se verifiquem progressos significativos nas negociações até ao dia 24 de Junho de 2019”.

Greve poderá ainda avançar

Depois disto, ficou-se a saber a posição da SATA anteontem, após reunião na Secretaria Regional dos Transportes, entre a titular, Ana Cunha, e a Administração da empresa, onde ficou decidido voltar às negociações, com a condição do sindicato cancelar a greve.

O sindicato aceitou e as reuniões começaram ontem à tarde em Lisboa.

Fonte ligada ao processo garantiu ao nosso jornal que o sindicato não irá abdicar do que foi mandatado pelos associados e, caso se mantenha a posição da administração nas negociações, os pilotos avançarão mesmo para a greve.

Preocupações nas ilhas do Triângulo

Entretanto, as preocupações nas ilhas do Triângulo mantêm-se relativamente à operação deste Verão.

Empresários, autarcas e população em geral têm manifestado as suas preocupações dos mais variados modos, tendo o Presidente da ACIP (Associação do Comércio da Ilha do Pico), Rui Lima, declarado à Antena 1-Açores que “é urgente transmitir confiança aos mercados e operadores, cabendo à SATA e ao Governo regional encontrar soluções rápidas”.

De acordo com o empresário picoense, todos os empresários do Triângulo estão preocupados com o Verão, havendo já grandes unidades hoteleiras, como o Hotel Caravelas, na Madalena, que se viram obrigados a cancelar reservas e refeições na ordem das centenas.

No Faial há também muito descontentamento, sendo possível que grupos cívicos, activos nas redes sociais, possam convocar uma manifestação de protesto aquando da próxima deslocação do Presidente do Governo àquela ilha.

Preocupações também com os barcos

A mesma preocupação se estende aos transportes marítimos de passageiros no Triângulo, com o convencimento de autarcas e empresários de que o Verão já estará comprometido.

As maiores preocupações vêm da ilha de S. Jorge, que se vê privada de muitas ligações e cujos autarcas já manifestaram o seu descontentamento.

Entretanto, acaba de ser anunciado que, com o início da segunda metade de Junho, a Linha Azul da Atlânticoline sofre um reajustamento, passando a ilha do Pico a dispor de mais duas ligações marítimas nesta rota.

Mais concretamente, passa a existir o “barco das 9 da manhã” entre as ilhas do Pico e do Faial, bem como novas viagens às 13h e às 15h (sendo que estas últimas substituem a viagem das 14h).

Esta situação manter-se-á até meados de Setembro.


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Diário dos Açores
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