Açores

PAN opõe-se à realização da Batalha das Limas

O PAN/Açores lamentou ontem a continuação do uso de plástico na tradicional Batalha das Limas que ocorre todos os anos no Carnaval na Avenida Marginal de Ponta Delgada. O partido diz opor-se à sua realização “por falta de soluções devidamente estanques e que determinem a real protecção do ambiente”.

Para o PAN, “não são suficientes” as alterações ao evento apresentadas pelo vereador Pedro Furtado, responsável pelo pelouro do ambiente e gestão de resíduos urbanos, nomeadamente a instalação de vedações num perímetro de 250 metros para proteger a zona litoral dos plásticos usados na manifestação carnavalesca, a vigilância policial mais apertada e a limpeza da zona após o evento. “Estas medidas não são suficientes para o partido e não reduzem a pegada ambiental como quer fazer passar a Câmara Municipal de Ponta Delgada”, refere o PAN, num comunicado enviado ontem às redacções.

Citado na nota, o porta voz do partido nos Açores, Pedro Neves, critica a falta de “imaginação”, “sensibilidade” e “coragem política” da Câmara Municipal de Ponta Delgada para apresentar uma “solução sustentável contra o desperdício e que salvaguarde os nossos mares, para onde vai grande parte do plástico usado, nem o nosso património ambiental e a própria zona marginal da cidade que fica sobrecarregada de lixo”.

Para o partido, “as vedações não reduzem a pegada ambiental, o plástico acumula-se pelas ruas e o arremesso de sacos desta matéria não deixa de ter la- tente uma componente de confronto”. O PAN vai ainda mais longe realçando a existência de “batalhas particulares que não vão usufruir da mesma vigilância que a Marginal, a cabo da Polícia Municipal”.

O PAN/Açores relembra também que o Arquipélago dos Açores recebeu o certificado de destino turístico sustentável, entregue pelo Global Sustainable Tourism Council (GSTC) em 2019, que tem como um dos parceiros Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

O partido recorda que a Batalha das Limas é um evento com mais de um século de história, em que já foi usada fruta, ovos, flores e posteriormente limas, feitas de cera e parafina. “Segundo alguns estudiosos do tema, existem referências a este episódio com mais de um século num jornal em 1919 onde consta o uso de flores e a participação de ‘gentis lutadores’ e é criticado o uso de bisnagas de água”, aponta.

“Esta festa foi alvo de variadas mutações ao longo do tempo alterando a sua génese identitária e o PAN/Açores recusa-se a usar a palavra e denominação de tradição para a justificar nos moldes em que é realizada”, considera o partido.

“Numa época em que o saco de plástico é taxado em supermercados, deixar que se use em eventos desta natureza, junto ao mar, não deixa de ser um crime ambiental, apesar das medidas supostamente proteccionistas criadas pela autarquia, curiosamente, em ano de eleições legislativas regionais. Por mais solidariedade que possamos ter pela folia em geral, não podemos ser cúmplices e fechar os olhos a este atentado que não harmoniza com a sustentabilidade ambiental que a região se esforça em promover“, conclui Pedro Neves.

Diário dos Açores

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