Açores

Oposição não acredita na recuperação da SATA

As contas da SATA e a operação da empresa motivaram ontem acesas trocas de palavras no Parlamento dos Açores, com a oposição a pedir responsabilidades e o executivo, juntamente com o PS, a falar na reestruturação da empresa.

O hemiciclo açoriano debateu, a pedido do CDS-PP, as contas mais recentes da empresa açoriana, que teve prejuízos de mais de 50 milhões de euros em 2018, mas os parlamentares trocaram também palavras sobre a operação da SATA e sobre responsabilidades de gestão da empresa.

No arranque do debate, o líder do CDS/Açores, Artur Lima, pediu que fossem retiradas “consequências políticas” das contas da empresa, lembrando o executivo do papel da transportadora no avançar da economia açoriana. “O Grupo SATA teve, em 2016, um prejuízo de 14 milhões de euros, em 2017 teve um prejuízo de 41 milhões de euros e, em 2018, um prejuízo de 53 milhões de euros.

É preciso olhar para os números e retirar as devidas consequências políticas”, declarou o centrista. Pelo PSD, o deputado António Vasco Viveiros sinalizou que a situação da SATA “é desde há muitos anos motivo de preocupação crescente e generalizada na região”, elencando três áreas de alerta: as “questões operacionais, resultantes do mau serviço que tem sido prestado”, o “profundo desequilíbrio financeiro, e mesmo falência técnica com capitais próprios negativos”, e os resultados negativos “que, só em 2017 e 2018, totalizam quase 95 milhões de euros”.

“Como foi possível chegar até aqui? Como foi possível uma empresa pública perder desde que Vasco Cordeiro é Presidente do Governo dos Açores 196 milhões de euros? Como foi possível uma empresa, com tão bons e competentes profissionais, assistir à degradação dos seus serviços e à ruína tão profunda do seu nome no mercado?”, questionou o parlamentar.

O deputado do PS Carlos Silva lembrou que a actual administração da SATA, liderada por António Teixeira, entrou recentemente em funções e “não se consegue em poucos meses reestruturar uma empresa”. O socialista lembrou ainda o “papel essencial” da empresa “para a economia da Região” e para o turismo em concreto, cabendo depois ao também deputado do PS Francisco César atacar o PSD, dizendo que os socialistas pretendem que a empresa “continue a servir a região e os açorianos” e o PSD não apresenta propostas para a SATA, mesmo com “72 notas de imprensa enviadas só pelo Grupo Parlamentar”.

Pelo Bloco de Esquerda, o deputado Paulo Mendes admitiu que a SATA é “invariável” tema de debate no parlamento açoriano, “mas constata-se que o Governo Regional, como único acionista, continua incapaz de dar um rumo à empresa e apresentar ideias claras quanto ao seu futuro, a não ser a sua privatização como solução milagrosa e a implementação de umas medidas avulso sem grande sentido e efeito”.

E prosseguiu: “É constante a mudança de responsáveis pela empresa, o que denota de forma clara que não há um projecto e, em função desse projecto, a escolha das pessoas certas. Este facto traduz uma constante variação de directrizes no interior da empresa que logicamente sofre destas constantes alterações”.

Já o PCP, pelo deputado João Paulo Corvelo, único representante dos comunistas na Assembleia Legislativa dos Açores, declarou que “de cada vez que são divulgados os relatórios e contas da empresa é maior a apreensão em relação ao futuro” da SATA.

Mesmo assim, o Executivo, “ao invés de corrigir as suas políticas para a empresa e para o sector”, não só “não altera o rumo seguido como persiste nas mesmas políticas completamente indiferente quanto ao desastre a que estas políticas, inevitavelmente, estão a conduzir a SATA”, sustentou o parlamentar comunista.

O Presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, interveio no debate demonstrando confiança no conselho de administração da SATA no cumprimento dos objectivos financeiros para este ano, que passam pela redução dos prejuízos anuais para metade.

“Temos confiança que o conselho de administração conseguirá alcançar esses objectivos e temos, em relação ao primeiro trimestre deste ano, alguns indicadores que nos animam nessa confiança”, declarou o governante.

Depois, dirigindo-se à bancada do PSD e ao seu líder parlamentar, Luís Maurício, Vasco Cordeiro disse saber o que os açorianos dizem das contas da SATA, mas atirou: “O senhor deputado Luís Maurício sabe o que é que os açorianos dizem, quando num concelho que tem uma das maiores taxas de pobreza, uma Câmara Municipal paga 200 mil euros por um concerto de um artista brasileiro?”.

Em causa está a autarquia da Ribeira Grande, presidida pelo líder do PSD/Açores, Alexandre Gaudêncio, e a contratação do artista brasileiro Kevinho para um concerto em Abril passado. Na resposta, o chefe da bancada do PSD declarou que “o que é verdadeiramente insustentável é a forma de governação” socialista.

O grupo SATA fechou 2018 com um prejuízo de 53,3 milhões de euros, um agravamento de 12,3 milhões face ao ano de 2017. A pesar no resultado estiveram as perdas da Azores Airlines, que registou um prejuízo de 52,93 milhões de euros. A juntar a este indicador há ainda o resultado líquido negativo de 2,58 milhões de euros da SATA Air Açores, que assegura os voos nas nove ilhas do arquipélago.

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Diário dos Açores
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