Açores

Mota Amaral lança hoje livro em Ponta Delgada

Mota Amaral vai lançar hoje em Ponta Delgada, pelas 18h20m, na Biblioteca Pública e Arquivo de Ponta Delgada, o livro “Os Açores, Portugal e a União Europeia”, uma obra em que o autor reúne vários textos dispersos por inúmeros meios de comunicação social, assumindo uma atitude crítica contra o estado a que chegou a União Europeia.

O livro será apresentado por Jaime Gama e Pedro Gomes. Nesta entrevista, o ex-Presidente do Governo Regional antecipa algum do seu pensamento incluído na obra.

“Os Açores, Portugal e a União Europeia” é um livro que reúne o seu pensamento político sobre a União Europeia. Onde entra aqui as especificidades da ultraperiferia e o significado que ela hoje alcança na União? O processo de elaboração do conceito de ultraperiferia é historiado num dos capítulos do livro.

Trata-se de uma das mais felizes e eficazes intuições da fase inicial da construção do novo regime autonómico democrático. Deu muito trabalho até se consolidar, beneficiando desde há várias décadas uma porção muito apreciável da população europeia, concretamente aquela que vive, em condições de particular dificuldade, nas ilhas longínquas, politicamente ligadas ao Velho Continente.

Hoje reconhece-se que essas ilhas são um grande valor para a Europa, projectando os seus interesses e a sua cultura pelos mares do Mundo e garantindo um acesso privilegiado aos recursos marinhos. Tem sido uma voz muito crítica sobre o andamento da União Europeia nos últimos anos. Estamos a ir no caminho errado? O problema são as políticas ou os líderes medíocres que têm assumido as rédeas das instituições europeias?

Tenho criticado a deriva autoritária do chamado Directório Europeu e a própria constituição deste, que resulta, a meu ver, da passividade dos responsáveis dos países pequenos e médios da União, que se abatem perante os grandes, contrariando o sonho dos fundadores da Europa Unida de uma união entre iguais. Continuarei a fazê-lo, alertando para a necessidade de uma diplomacia permanente de geometria variável entre os pequenos e médios, de modo a travar qualquer tentativa de hegemonia de tipo imperial.

Apesar de tudo, há esperança ou tem uma perspectiva pessimista sobre o futuro da Europa?

Sou por feitio optimista e julgo que os desafios surgem para nos estimularem e nos levarem à vitória. Não devemos desistir da construção europeia, que tem garantido paz e progresso em termos nunca antes experimentados. E podemos ainda fazer muito para benefício de todos os europeus e até do Mundo inteiro, que noutras eras os europeus moldaram.

Os próximos meses, até às eleições europeias, serão suficientes para se implementar um debate sério sobre estas questões ou teme que a população se mantenha arredada?

É preciso quebrar o alheamento dos cidadãos relativamente às questões europeias, que afinal lhes dizem bem directamente respeito. O meu livro pretende ser para isso um modesto contributo.

Os populismos que vão surgindo em vários países europeus, os problemas da imigração, a desorientação do maior partido europeu, o PPE, que nem consegue expulsar do seu seio o ditador húngaro, a descrença, tudo isso vai contribuir para que os europeus fiquem em casa no dia das eleições e os partidos e movimentos de protesto tenham uma maior votação?

Sempre disse que para mim as sondagens não contam, o que conta mesmo é a contagem dos votos na noite das eleições. O debate político deve ser inteligente e sereno, o que só por si destrunfará, julgo eu, a alarido dos populismos diversos que por aí pululam, felizmente com pouca expressão entre nós. Mas as instituições europeias têm muita culpa no afastamento dos cidadãos, na medida em que se encerraram sobre si próprias, criando uma oligarquia e um poder burocrático detestáveis, deixando sem solução os problemas deveras sentidos pelas pessoas, entre os quais avultam o desemprego e a precariedade entre os jovens, a insegurança e a incapacidade para definir e aplicar uma verdadeira política europeia de acolhimento de refugiados e migrantes.

Como se devem posicionar os Açores no meio de todos estes desafios nos próximos tempos?

Os Açores têm participação garantida em variados fora onde se debatem e se tentam resolver os problemas europeus. A nossa voz deve continuar a fazer-se ouvir em termos vigorosos. Temos uma ideia para a Europa, que para nós não pode ficar reduzida a fluxos financeiros em nosso justo favor. Infelizmente, a presença açoriana no Parlamento Europeu vai ficar reduzida nos próximos 5 anos, por razões conhecidas. Mas em tal período o Mundo não vai acabar e temos entretanto outras maneiras de promover e intervir no tablado europeu.


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Diário dos Açores
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