Açores

Moradores de Santa Clara queixam-se de assaltos

Moradores de Santa Clara, junto ao Centro de Alojamento Temporário de Apoio aos Sem-Abrigo, queixaram-se ao nosso jornal de ocorrências de assaltos nalgumas habitações daquela área, tendo um habitante já identificado um utilizador do referido Centro.

Rodrigo Cabral é uma das testemunhas de uma tentativa de assalto, tendo relatado ao “Diário dos Açores” a sucessão de acontecimentos e os receios dos moradores face ao ambiente naquela zona.

Recorde-se que o Centro de Alojamento aos Sem-Abrigo foi inaugurado no final de 2018, num investimento público de 4 milhões de euros, com o objectivo de integrar os utentes num meio digno e com todas as condições.

“Não obstante esse nobre propósito do projecto, e muito embora não possa ajuizar quanto ao sucesso da integração dos utentes, dado desconhecimento da minha parte em relação a isso, posso advogar com certeza suportada em factos que existem lacunas no mesmo, as quais têm levado os moradores da Rua Pintor Domingos Rebelo e dos bairros envolventes a sofrer externalidades negativas que não podem deixar de ser expostas, e que aparecem, portanto, como indicadores de uma urgente actuação e reforma do projecto”, conta ao nosso jornal um dos moradores.

Falam de tentativas de assalto e entrada indevida em propriedade privada, com queixas de vários vizinhos.

Tentativa de assalto a uma idosa

Rodrigo Cabral relata ao nosso jornal que “a minha avó, idosa de 75 anos, moradora na rua Pintor Domingos Rebelo, foi “brindada”, no dia 25 de Novembro de 2019 ao início a noite, com uma invasão de propriedade por parte de um rapaz. Depois de chamada a polícia, que o algemou dentro da casa da minha avó, e de ser analisada a situação, verificou-se que era utente do estabelecimento de alojamento, e que estava sob efeito de psicotrópicos, facto que poderá ser confirmado pela Polícia de Segurança Pública, já que a ocorrência ficou registada, apesar de na altura termos optado por não avançar com queixa-crime, já que o rapaz somente invadiu a casa alegando que fugia de outros indivíduos, não tendo felizmente causado danos ou tentado roubar alguma coisa. Mesmo assim, tal facto obrigou-nos a ter de investir na fortificação das portas da minha avó, assim como no início da construção de uma vedação”.

Novo assalto

E prossegue Rodrigo Cabral: “Todavia, e como se não bastasse, no passado dia 10 de Março de 2020, durante a madrugada, a minha avó, com a minha presença, já que estava a pernoitar em casa da mesma, sofreu nova acção ilegítima, nomeadamente uma tentativa de assalto, na qual um indivíduo tentou forçar a fechadura da porta da frente da sua casa, algo efectivado através de um pequeno buraco que o mesmo foi fazendo na porta de madeira. Desta vez não houve tempo para chamar a polícia, já que o indivíduo, desistindo do assalto perante uma porta com fechadura fortificada por dentro, fugiu rapidamente. Apesar disso, ao abrir a porta depois de verificar silêncio e de ter acalmado a minha avó, consegui ver a pessoa em causa a dirigir-se para o Centro de Alojamento, indiciando ser utente do mesmo”.

Este morador diz que, “pese embora o erro de não ter notificado a polícia na segunda ocorrência, a primeira ocorrência foi registada, e a segunda serve para confirmar que alguns utentes do estabelecimento têm causado incomodo considerável aos moradores da zona onde foi construído tal edifício, não esquecendo novamente, e como reforço do que alego, as queixas de outros vizinhos, sobre as quais, todavia, não me posso pronunciar com o mesmo detalhe”.

Troca de droga à vista

“De facto, o alojamento não tem qualquer vedação, o que abre espaço para que os utentes possam andar livremente pela rua e bairros circundantes. Não quero dizer com isto que o edifício deveria ser um local de isolamento social, longe disso, já que o propósito do projecto é a integração. No entanto, são muitas a vezes que se vêm pessoas no pátio aberto do alojamento a trocar droga, o que infelizmente indicia que alguns ou vários dos utentes sem-abrigo sejam toxicodependentes que, na necessidade de sobreviver e de saciar o vício, recorrem inevitavelmente a acções como as relatadas acima, visando alvos fáceis como moradores idosos”, acrescenta o nosso interlocutor.

Os moradores da zona dizem que urge uma revisão da forma como funciona o estabelecimento, no sentido de acautelar o tipo de ocorrências acima relatadas, e de impedir o prejuízo do bem-estar dos moradores da rua e bairros próximos do alojamento, sendo obrigatório que a inclusão seja exequível em harmonia com o bem-estar de todos.

Os moradores por nós contactados dizem que vão fazer um abaixo assinado para que seja revisto o funcionamento e segurança do Centro de Alojamento e o ambiente naquela zona.

Diário dos Açores

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Fonte
Diário dos Açores

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