Açores

Maioria dos restaurantes de S. Miguel recorreu ao lay-off

A generalidade dos restaurantes de S. Miguel e Santa Maria recorreu ao lay-off e mantém uma perspectiva pessimista quanto ao futuro do sector.

Estes são alguns dos resultados de um inquérito à restauração das duas ilhas, efectuado pela Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada.

O inquérito foi lançado junto de cerca de 150 associados entre os dias 22 e 26 de Abril de 2020 nas ilhas de S. Miguel e Santa Maria, tendo sido recebidas 85 respostas.

76% das empresas inquiridas estavam totalmente encerradas e as restantes parcialmente encerradas.

Para 81% das empresas a quebra de vendas situou-se entre os 51 e os 99%, com 14% a não registar qualquer receita.

A perspetiva de retoma foi de 2021 para 65,5% dos inquiridos, julho/agosto para 9,5%, outono/inverno para 9,5% e 2022 para cerca de 5%.

Noventa e quatro por cento dos inquiridos recorreu a medidas de apoio, principalmente o lay-off.

Para mais de 50% das empresas os locais, da ilha, representam menos de 39% das vendas, sendo que só em 6% dos casos representam mais de 80%.

Antes da pandemia, as receitas de clientes externos à ilha, representavam mais de 60% do total para 46% dos estabelecimentos. 60% indica que mais de 40% são estrangeiros. Os continentais e madeirenses representam até 39% dos clientes para quase 50% dos restaurantes. Os açorianos representam até 39% dos clientes para cerca de 50% das empresas.

Depois da pandemia a expectativa de 52% dos inquiridos é de que os clientes externos representarão menos de 20%, sendo que 7% acham que será de 80 a 100%.

As cinco principais sugestões de medidas

Continuação de todas as medidas em vigor, principalmente do lay-off, enquanto se mantiver os efeitos da pandemia.

Redução de outros custos que não salariais: rendas, energia, água etc.

Isenção/perdão/redução de diversos impostos.

Apoio à tesouraria a fundo perdido.

A entrega rápida dos apoios solicitados. Necessidade de apoios a fundo perdido e não de endividamento.

Outras achegas frequentes foram:

As cercas tiveram um impacto muito negativo nas vendas.

Se todos os apoios forem baseados em linhas de crédito a pagar “suavemente” ao longo dos próximos anos, quando a economia retomar, não haverá microempresas e iniciativa empresarial, porque financeiramente, estaremos todos arruinados.

Vivemos do turismo, se continuarmos com aeroportos fechados vamos ter muita dificuldade.

Sou tremendamente pessimista quanto ao futuro. Como vai ser possível garantir os empregos até final do ano? O que será dos colaboradores que tenho?

A retoma do sector da restauração será longa. Estimo encerramento de todos os espaços com capacidade baixa de ocupação. É preferível encerrar a atividade do que continuar a aumentar passivos. O horizonte apresenta dificuldades sem precedentes.

93% encerrados

Em síntese: a pandemia provocou alguns, pequenos, acertos na forma de prestação de serviços de restauração, mas o seu impacto foi elevadíssimo levando ao encerramento total ou parcial de 93% dos estabelecimentos; a generalidade dos restaurantes recorreu ao mecanismo do Lay-off; a generalidade dos restaurantes depende maioritariamente de clientes do exterior da ilha, particularmente continentais e estrangeiros e as perspectivas para a retoma da atividade são pessimistas com muitos empresários a apontar a retoma apenas para 2021.

Diário dos Açores

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