Açores

Há 500 milhões de euros de investimento privado para a Região

Vítor Fraga, Presidente do conselho de administração da Sociedade para o Desenvolvimento Empresarial dos Açores (SDEA), em declarações ao semanário Sol, disse que a liberalização do espaço aéreo dos Açores fez disparar o turismo neste arquipélago, gerando mais-valias noutros sectores de actividade, nomeadamente na agricultura e nas pescas.

Em 2014, antes da liberalização do espaço aéreo (em 2015), o total de dormidas rondava 1,2 milhões, em 2019 ultrapassou os três milhões. O mesmo cenário repetiu-se nos proveitos turísticos. Em 2014 rondavam os 40 milhões de euros e cinco anos depois fixaram-se nos 100 milhões de euros.

A par do crescimento da hotelaria tradicional assistiu-se ainda ao aumento do alojamento local que, no final do ano passado, já ultrapassava as mil unidades.

“Este tipo de alojamento é muito importante porque permite aos turistas que nos visitam terem experiências diferentes no destino. Estão muitas vezes mais próximos das populações, mais integrados. É uma oferta complementar que consideramos bastante interessante, naturalmente, devidamente legalizada e com todas as questões fiscais regulares”, revelaram ao jornal Sol responsáveis do sector.

1300 projectos aprovados no valor de 500 milhões de euros

Ainda de acordo com as declarações de Vítor Fraga ao Sol, o arquipélago está a entrar na rota dos investidores internacionais. Segundo as contas do responsável, cerca de 1300 projectos já foram aprovados e serão executados até final do quadro comunitário em 2022.

O investimento ronda os 500 milhões de euros e deverá criar 2.900 postos de trabalho.

“Este é o maior investimento privado de sempre nos Açores”, afirma àquele jornal, acrescentando que chega de várias latitudes: “Temos investimento nacional, dos EUA, do Canadá, da Europa, como do Médio Oriente e da China”.

Entre as iniciativas que a Sociedade para o Desenvolvimento Empresarial dos Açores tem em mãos, o responsá- vel destaca o projecto aeroespacial de Santa Maria.

“A investigação aeroespacial vai marcar os Açores para as próximas décadas. Santa Maria goza da particularidade de ser um território que tem as condições ideais para o lançamento de satélites, quer de órbita equatorial quer de órbita polar. É nesta perspectiva que se desenvolve o projeto do Spaceport”, salienta.

Outra jóia da coroa, segundo Vítor Fraga, é a economia do mar, já que os Açores vão dar a Portugal a dimensão atlântica quando for aprovada a nova plataforma marítima intercontinental, que vai permitir ao país gerir 69 vezes a área do seu próprio território actual, dando como exemplo, os projectos de aquacultura.

O responsável garante que este projecto vai ter peso no que diz respeito aos estudos das alterações climáticas.

Também em marcha estará o projeto de avançar com os novos cabos submarinos para manter as ligações de telecomunicações entre Portugal Continental e as ilhas da Madeira e Açores. Para isso, foi criado um grupo de trabalho para estudar e analisar a configuração técnica e financeira mais adequada para a substituição atempada dos cabos submarinos, sublinha o jornal.

O custo ronda os 119 milhões de euros. As comunicações electrónicas entre o Continente e as regiões autónomas são actualmente asseguradas por um sistema de cabos submarinos, denominado anel CAM, formado por 3 ligações em triângulo, sistema que está a 3/4 da sua vida técnica máxima (25 anos) sendo necessário acautelar atempadamente a sua substituição. O grupo de trabalho recomendou ainda que se analisasse, numa fase subsequente, a necessidade de substituição das inter- ligações nos arquipélagos dos Açores e da Madeira.

A atracção de startups

O Presidente da SDEA chama também a atenção, nestas declarações ao Sol, para o facto de os Açores ganharem cada vez mais peso na atracção de startups. A estabilidade político-económica do arquipélago, assim como as vantagens fiscais são apontadas como elementos diferenciais.

Recorde-se que a Região Autónoma dos Açores goza de um diferencial fiscal vantajoso, na ordem dos 20%, em relação a Portugal Continental, em sede de Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRC), de Im- posto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS) e de Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA). A região também beneficia da 8.a taxa de IRC e da 2.a taxa de IVA mais baixas da União Europeia.

A localização – possibilidade de chegar no mesmo dia a qualquer capital europeia – assim como a existência de importantes infraestruturas tecnológicas dão um ‘empurrão’ na atracção de startups para o arquipélago.

Nos últimos dois anos, os Açores atraíram 18 empresas na área de tecnologia de informação, responsáveis pela criação de 140 postos de trabalho.

Ao mesmo tempo, a Região conta com uma rede de incubadoras: nove – cinco são públicas e quatro privadas, conclui o jornal Sol.

Diário dos Açores

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