Açores

Gui Menezes rejeita que ex-trabalhadores da Cofaco estejam sem rendimento

O Governo Regional rejeita que existam cerca de 40 ex-funcionários da Cofaco, na ilha do Pico, sem qualquer rendimento, como afirmou o coordenador da União de Sindicatos de Angra do Heroísmo.

Segundo reagiu o Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia, “as afirmações do sindicato relativamente à situação dos ex-trabalhadores da Cofaco não correspondem à verdade e considero que são uma enorme irresponsabilidade”.

Gui Menezes garantiu que existem apenas duas pessoas que não estão a receber subsídio de desemprego e outras três perderão o apoio social até ao final deste ano, mas poderão recorrer ao subsídio de desemprego subsequente.

Recorde-se que, em Maio do ano passado, a conserveira Cofaco, dona do atum Bom Petisco, encerrou a fábrica da ilha do Pico, despedindo 162 trabalhadores, com o compromisso de abrir uma nova fábrica até Janeiro de 2020, com capacidade inicial para 100 trabalhadores e a possibilidade de aumentar o efectivo até 250.

Na última Terça-feira, o coordenador da União dos Sindicatos de Angra do Heroísmo (USAH), Vítor Silva, disse que até ao final do ano existirão “mais de quatro dezenas de pessoas” sem subsídio de desemprego.

“Há pessoas que estão a passar fome. Há pessoas que foram despedidas da Cofaco e não têm qualquer rendimento”, afirmou.

Gui Menezes disse, por seu turno, que, em Maio de 2018, oito funcionários “passaram à reforma ou não solicitaram subsídio de desemprego” e dos restantes “62 estão a trabalhar, três estão em formação profissional e 84 estão a receber subsídio de desemprego”.

Gui Meneses sublinhou que muitos trabalhadores “não aceitaram as propostas de trabalho que lhes foram proporcionadas”, mas assegurou que “nenhum trabalhar que eventualmente venha a ficar sem subsídio de desemprego ficará sem uma proposta de trabalho”.

“Julgo que é lamentável este aproveitamento dos trabalhadores da Cofaco ainda por cima por serem pessoas que em determinado momento da sua vida ficaram numa situação de maior fragilidade”, criticou, alegando que dizer que existem pessoas a passar fome “ultrapassa tudo o que é razoável”.

“O Governo dos Açores acompanhou, acompanha e vai continuar a acompanhar estes trabalhadores para assegurar que nenhum ex-funcionário da Cofaco fique sem rendimentos e numa situação precária”, acrescentou.

Em Julho de 2018, a Assembleia da República aprovou por unanimidade uma resolução, proposta pelo PCP, publicada em Diário da República no mês seguinte, que previa a criação de um “regime especial e transitório de facilitação de acesso, majoração de valor e prolongamento de duração de apoios sociais aos trabalhadores em situação de desemprego” na ilha do Pico, mas até ao momento a medida ainda não foi implementada.

Questionado sobre o atraso, Gui Menezes remeteu as responsabilidades para a Assembleia da República. “É um assunto que neste momento nos ultrapassa, porque é um assunto da Assembleia da República, que teve os trâmites que deveria ter. Sobre isso não há mais nada a dizer”, afirmou.

Quanto à nova fábrica da Cofaco na ilha do Pico, o Secretário disse que, de acordo com a empresa PDM, as obras devem iniciar-se “no final deste ano ou no início do ano que vem”.

A plataforma sindical, constituída pela USAH, pelo Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Alimentação, Bebidas e Similares, Comércio, Escritórios e Serviços, Hotelaria e Turismo dos Açores (SITACEHT), pela Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (FESAHT) e pela CGTP- IN, vai solicitar uma nova reunião com o Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia e enviou já um ofício ao Ministério do Trabalho, propondo, entre outras medidas, “a passagem à reforma, sem penalização de um número significativo de trabalhadores com mais de 55 anos”.

Diário dos Açores

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