Açores

Grupo Ilha Verde com quebras de quase 100%

Quando em Janeiro se perspectiva um ano de 2020 favorável para o sector do turismo nos Açores, a pandemia provocada pelo surto do novo coronavírus veio deitar por terra todas as expectativas de crescimento neste sector. À semelhança do que aconteceu em todo o mundo, as empresas pararam, os aviões ficaram em terra e a economia parou praticamente a 100 por cento. Como conta ao Diário dos Açores, Luís Rego, do Grupo Ilha Verde, “passamos de um dia para o outro a viver de uma maneira muito diferente. Foi tudo tão repentino que nem deu tempo para pensarmos no que estava a acontecer e tão pouco estávamos preparados”, admite, avançando que “de um dia para o outro ficamos sem clientes, sem facturação e tivemos que, rapidamente, perceber o que se passava e o que se perspectivava para o futuro com as informações que nos iam chegando”.

Perante a situação, Luís Rego fez o que a maioria dos empresários teve que fazer, recorrendo à ajuda que o Governo colocou à disposição das empresas para, principalmente, manter os postos de trabalho, frisando que “uma actividade como a nossa, com um número de colaboradores significativo, tem um peso bastante grande na nossa estrutura e isso obrigou-nos a tomar muitas opções”.

Ainda assim, revela, “nunca fechamos na totalidade, porque assim foi permitido. Continuamos a trabalhar com todas as limitações que nos foram impostas. Desta forma conseguimos dar todo o apoio a muitos clientes e a algumas pessoas que estavam de férias, nomeadamente ao nível de viaturas para quem precisava de se movimentar na ilha”. Contudo, garante, “a nossa actividade manteve-se de uma forma muito reduzida. Tivemos uma quebra de quase 100 por cento”.

Quando em Portugal Continental já muitas empresas tentam voltar à “nova normalidade”, Luís Rego confessa que está expectante quanto aos próximos tempos nos Açores. “Neste momento ainda estamos a aguardar que a actividade turística se inicie. Em todo o caso, neste sector, somos apenas uma parte, primeiro é preciso perceber como os aeroportos vão funcionar, quando e como as companhias aéreas vão retomar a actividade, apesar de já termos algumas indicações, em seguida vem a hotelaria e só a seguir aparecemos nós. É importante perceber como toda a estrutura do sector turístico vai funcionar para também nós podermos delinear os nossos planos e darmos início à nossa actividade”, adverte, comentando que o Grupo Ilha Verde já está a preparar a sua reentrada pós covid “com todas as normas e medidas sanitárias que são exigidas. Na nossa empresa, estamos com um plano interno e a nos prepararmos para recomeçarmos a nossa actividade em pleno”, frisa.

Uma retoma que obriga a uma mudança de atitudes e comportamentos e à adopção de novas medidas e formas de atender os clientes, que levaram os empresários a terem que fazer pequenos investimentos nas suas infra-estruturas para cumprirem com o que é exigido. Investimentos que, nesta fase, pesam em qualquer carteira. Luís Rego explica que “o investimento é sempre grande, por mais pequeno que seja, quando não temos receitas”, comenta, garantindo que o Grupo Ilha Verde já está a “investir na empresa e a preparar os nossos colaboradores para todos juntos retomarmos a nossa actividade”.

Cancelamentos na ordem dos 100 por cento

Com uma actividade económica que também assenta no sector do rent-a-car, Luís Rego diz que viu todas as reservas que tinha a serem canceladas. Como conta ao Diário dos Açores, “os cancelamentos foi em número bastante significativo, aumentando a cada mês que passava. A maior parte dos nossos clientes, cerca de 100 por cento cancelou as suas reservas”. Os motivos apresentados prendiam-se com dificuldade de acesso, medo ou falta de confiança. “Também tivemos casos em que os cancelamentos surgiram aquando da chegada à ilha de algumas pessoas que ainda não sabiam que teriam que ficar de quarentena obrigatória, confinados a um quarto de hotel durante 14 dias. Deste modo, não fazia sentido manter uma reserva de uma viatura quando não iam usufruir dela”, comenta.

Para Luís Rego 2020 será, sem dúvida, o pior ano de sempre. Peremptoriamente este empresário acredita que “com o cenário que está montado e com as dificuldades que estamos todos a sentir não tenho dúvidas em afirmar que 2020 será o pior ano de sempre na nossa actividade e no turismo em geral. Basta ver as medidas que cada país está a tomar, com a própria União Europeia a aconselhar as pessoas a não viajarem para fora do seu país. Tudo aponta para ser um ano ímpar desde o início da nossa actividade. Não tenho dúvidas que isso vai acontecer mesmo que haja alguma abertura, será sempre muito pouco e não vai dar para recuperar aquilo que perdemos até agora”, assevera.

Às empresas resta esperar por melhores dias e pelos apoios que poderão vir de Bruxelas e dos Governos Regional e da República. Apoios que Luís Rego acolhe com agrado mas que está certo que não serão suficientes. “A grande preocupação de qualquer empresa e de qualquer empresário, neste momento, também por uma questão social, passa por manter os postos de trabalho. Mas sem clientes, não há facturação o que nos coloca em grandes dificuldades porque não temos receitas para fazer face aos custos da estrutura o que inclui os custos com os colaboradores”.

De acordo com este empresário, “as medidas que até agora foram apresentadas não chegam para manter a nossa actividade nas condições actuais”, garante, adiantando que “as empresas precisam de mais liquidez e de mais apoio a fundo perdido”.

Ainda assim, avança “não sabemos o que poderá vir ainda. As medidas vão sendo implementadas para um prazo muito curto, mas espero que algumas destas medidas se mantenham e se prolonguem por mais tempo, principalmente no sector do turismo”.

Luís Rego acredita que o turismo será o sector que, “sem dúvida, se vai manter em dificuldades pelo menos até Março do próximo ano. Neste sentido, entendo que principalmente neste sector, os apoios que foram apresentados até ao momento, devem ser estendidos”, defendendo que o Governo “deveria equacionar a hipótese de pensar em mais apoios e medidas adicionais aos já implementados que viessem ao encontro do que as empresas precisam para se manterem em funções”.

Diário dos Açores

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Diário dos Açores

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