Açores

Funcionários do Aeroporto do Pico queixam-se de sobrecarga horária

O jornal picoense Ilha Maior revela que o desespero está a apoderar-se dos funcionários afectos a diferentes serviços do Aeroporto do Pico.

“Lojistas, bombeiros, seguranças, serviços de limpeza e inclusivamente os funcionários da SATA passam horas esquecidas no Aeroporto, chegando a realizar turnos de 17 horas para assegurar o funcionamento dos diferentes serviços”, conta o jornal, baseado em declarações de vários funcionários.

O problema arrasta-se desde o Inverno do ano passado quando começaram a realizar-se os últimos voos no final da tarde, mas a situação tem vindo a agravar-se nos últimos três meses.

Os profissionais estão esgotados e reclamam um reforço de pessoal em diferentes sectores para conseguir responder a todas as necessidades. Em causa, prossegue o Ilha Maior, está o facto de a estrutura reunir as condições necessárias para receber voos nocturnos, levando a que a reprogramação de voos deixe quase diariamente as últimas ligações para o Pico.

Esta semana, por exemplo, na segunda-feira os primeiros funcionários entraram na estrutura aeroportuária às seis horas da manhã e os últimos saíram depois das 23 horas.

Já na passada semana a situação foi praticamente idêntica com a maioria dos voos a serem empurrados para depois das 21h00.

A situação que há muito deixou de ser pontual e passou a ser regular está a deixar alguns funcionários à beira de um ataque de nervos e há quem admita recorrer à baixa médica por exaustão psicológica para fugir ao que dizem ser um serviço à beira da escravatura, revela o jornal picoense.

Sem querer dar a cara por temerem represálias, o discurso é transversal à maioria dos profissionais: “É impossível continuar a trabalhar nas actuais condições”. Um dos lojistas disse ao jornal Ilha Maior que o “desgaste é muito grande”, assumindo que trabalhar no Aeroporto do Pico nos moldes actuais é um “sacrifício gigante”.

Este profissional reclama a criação de condições para evitar que as aeronaves operem até tão tarde: “As pessoas do Aeroporto não têm vida social e estão a perder a familiar. Compreendo que queiram mais voos, mas é preciso criarem-se condições para isso, o que não existe neste momento. Se existir um acidente quem será responsabilizado quando se for analisar o número de horas de serviço?”.

Outro lojista lamenta o que se está a passar e admite que hoje em dia deixou de conviver com amigos e passa poucas horas com a família: “Chego ao Aeroporto antes das oito da manhã e na maioria dos dias só regresso a casa depois das 22 horas perdendo o contacto familiar, sobretudo com o meu filho, porque os horários de funcionamento do Aeroporto são demasiado alargados e obrigam muitos serviços externos, como as rent-a-car, a permanecerem de serviço até mais tarde”.

A situação, adianta, é insustentável, assumindo que “é necessário criarem-se condições para que a estrutura se mantenha aberta e evitar que as ligações se arrastem até altas horas da noite”, acrescentando que alguns funcionários durante o dia sentem necessidade de descansar nos carros para conseguirem suportar as restantes horas de trabalho.

E o jornal prossegue: De lágrima nos olhos outra funcionária diz que passou o Inverno sem folgas e neste momento está limitada no tempo que passa com a família devido à necessidade de assegurar o serviço no Aeroporto, reclamando por isso uma melhor organização dos voos da SATA: “Trabalho actualmente como uma escrava e não tempo para estar com a família. Vou trabalhar até rebentar psicologicamente e nessa altura vou recorrer a uma baixa médica”.

A situação não é melhor entre os bombeiros. Um dos profissionais lamenta o que se está a passar, afirmando que é impossível continuar a trabalhar nos moldes actuais.

Embora se sintam obrigados moralmente a assegurar o funcionamento da estrutura, o profissional reconhece que são horas a mais, que acabam por provocar desgaste físico e psicológico: “É um grande sacrifício que fazemos diariamente. Passamos os dias todos no Aeroporto. Em determinados dias mal descansamos porque saímos depois das 23 horas para regressar na manhã no dia seguinte antes das 8 horas”.

No caso dos bombeiros, o Sindicato Nacional dos Bombeiros Profissionais já recebeu uma exposição relacionada com a carga horária, que segundo apurámos, ultrapassa as 150 horas extras e está a desenvolver todos os esforços para perceber quais os passos que podem ser dados para proteger os seus associados, conclui o jornal.


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Diário dos Açores
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