Açores

Extreme West Atlantic Adventure

Depois de, em 2018, se ter realizado a Taça de Portugal de Trail nas Flores, o Azores Trail Run volta ao ponto mais ocidental da Europa já no próximo fim- de-semana, desta feita para uma aventura ainda maior: organizar a primeira prova de trail por etapas no Grupo Ocidental, com passagem obrigatória dos atletas pela ilha do Corvo, a mais pequena do arquipélago, com cerca de 400 habitantes e uma área de pouco mais de 17 quilómetros quadrados.

A Extreme West Atlantic Adventure somará um total de mais de 70 km, com desnível positivo de 4500m. A primeira etapa, que se realiza hoje, será um Km Vertical, a arrancar na Fajã Grande, ilha das Flores. O “KV Escadinhas do Céu” percorre cerca de 6,5 km até ao ponto mais elevado da ilha, o Morro Alto.

No segundo dia desta aventura, amanhã, os atletas são convidados a navegar até ao Corvo. Esta etapa leva-os desde a pequena Vila, passando pela Cara do Índio, até ao ponto mais alto da ilha. Daí, desce-se até ao Caldeirão, e percorre-se o perímetro da antiga cratera vulcânica, regressando depois à Vila. Finalmente, no Domingo e de volta às Flores, é altura de percorrer os 38 km do Extreme West Atlantic Trail, através de fajãs lávicas e detríticas, onde escorrem inúmeras linhas de água, formando impressionantes quedas de água na encosta.

Se, para os atletas, o desafio é fazer uma gestão adequada da prova para poder desfrutar ao máximo destes três dias, para a organização é o quebra-cabeças logístico a principal dificuldade. “Os Açores são uma região ultraperiférica, e as ilhas do Corvo e das Flores são a ultraperiferia dentro da ultraperiferia. Consequentemente, montar uma prova de trail nestas ilhas, com a particularidade de se incluir o Corvo, em três etapas e em três dias seguidos, não é tarefa fácil”, explica o coordenador do Azores Trail Run. Segundo Mário Leal, tudo tem de ser pensado ao pormenor antes da prova, para garantir que, na hora H, está tudo preparado para fazer soar a buzina na linha de partida.

O Azores Trail Run faz deslocar ao Grupo Ocidental parte do seu staff para poder pôr de pé esta empreitada. Todavia, congratula-se por poder contar com um forte apoio da comunidade local, bastante entusiasta desta aventura. Apesar de, no Grupo Ocidental, residirem comunidades pequenas – o Corvo tem cerca de 400 habitantes, e a ilha das Flores não chega aos 4 mil -, estas envolvem-se de alma e coração com este projecto e a organização consegue mobilizar muitos voluntários para fazer deste um evento onde os atletas podem sentir o caloroso espírito acolhedor dos Açores.

“Neste aspecto, é fundamental o precioso apoio que temos recebido do recém-criado Morro Alto Sport Club”, salienta Mário Leal, destacando o papel do jovem clube de atletismo vocacionado também para o trail não apenas no apoio à organização deste evento mas, principalmente, na disseminação da modalidade na ilha das Flores.

O privilégio de correr uma prova de etapas no território mais ocidental da Europa, descobrindo as suas paisagens únicas e conhecendo as peculiaridades da sua cultura, é acessível a poucos atletas, já que a logística intrincada e as dificuldades em termos de acessibilidades deste território ultraperiférico fazem com que as inscrições tenham de ser bastante limitadas. Em 2019, esperam-se quase 60 atletas nesta aventura, na sua maioria portugueses, mas também vindos do Reino Unido, França e Holanda.


Autor(a):
Fonte: Diário dos Açores

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