Açores

Empresários com “profunda preocupação” sobre greve dos estivadores

A Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, reunida ontem, manifesta “profunda preocupação” com o novo pré-aviso de greve para o período de 9 a 30 de Março, dos serviços de estiva no porto de Lisboa, também com reflexos no porto de Setúbal.

“Este pré-aviso de greve vem dar continuidade a um período de perturbações que o transporte marítimo de mercadorias entre o continente e a Região que tem conhecido nos últimos tempos e que tem afectado a normal escala dos navios nos portos dos Açores”, afirmam os empresários micaelenses.

E acrescentam: “Esta greve, nos termos em que é convocada, perspectiva um impacto negativo muito significativo, quer em termos de abastecimento, quer na colocação de bens em Lisboa”.

“É neste contexto que a Direcção entende alertar as entidades competentes nacionais e regionais, no sentido de adoptarem todas as medidas que sejam necessárias, para efectivamente garantir o transporte de carga de e para os Açores, de forma a permitir o normal funcionamento da economia regional”, lê-se no comunicado da Câmara do Comércio, que também manifesta preocupações com o coronavirus.

Governo volta atrás

Há cerca de uma semana a Secretária Regional dos Transportes tinha afirmado que o Governo dos Açores estava a acompanhar “muito de perto” a greve dos estivadores, adiantando que não se previam “constrangimentos de maior” no abastecimento à região.

Nos dias seguintes os empresários de várias ilhas começaram a queixar- se da falta de mercadoria e que a greve já afectava algumas ilhas.

Agora, o Governo dos Açores, através da Secretaria Regional dos Transportes e Obras Públicas, diz que solicitou ao Governo da República a implementação de novos serviços mínimos no transporte marítimo de mercadorias entre o continente e os Açores.

Ana Cunha, em declarações à Comunicação Social, salientou que, tendo em conta o pré-aviso para um novo período de greve do Sindicato dos Estivadores e da Actividade Logística (SEAL), de 9 a 30 de Março, “a Região já interveio novamente junto do Governo da República, no âmbito deste novo pré-aviso”.

“Viemos de um período de greve que teve início a 19 de Fevereiro e termina a 9 de Março, em que foram fixados determinados serviços mínimos, tendo em conta as nossas preocupações e as especificidades da Região”, mas nesta segunda greve ”estamos preocupados, porque entendemos que os efeitos poderão ser mais gravosos”, até porque “surgem na continuidade de um período grande de três semanas, em que tivemos só com serviços mínimos”, frisou a Secretária Regional.

A titular da pasta dos Transportes adiantou que, “daquilo que também nos é dado a entender, do pré-aviso de greve, são afectados mais terminais do que no primeiro período, nomeadamente em Lisboa, e com reflexos também em Setúbal”.

Esta situação “levou a que, de imediato também, junto do Governo da República, pedíssemos novamente a fixação de serviços mínimos que assegurassem a continuidade do abastecimento às nove ilhas”, já que “o transporte marítimo de mercadorias é vital”, salientou Ana Cunha.

“Não temos alternativa, não temos ferrovia, não temos transportes terrestres e, nesse sentido, e porque já vimos de um período bastante prolongado de greve, voltámos a intervir junto do Governo da República, manifestando as nossas preocupações e solicitando particular atenção na definição dos serviços mínimos para a Região”, afirmou.

Os serviços mínimos são definidos por despacho conjunto do Ministério das Infraestruturas e Habitação e do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, sendo que, “à semelhança do que foi feito para o período anterior, serão novamente fixados da mesma forma, que é a forma legal”, referiu Ana Cunha.

Além do pedido de fixação de serviços mínimos, a Secretária Regional revelou que o Executivo também tem estado atento “aos serviços que têm sido prestados neste período, já em curso, de greve e de serviços mínimos”.

“Temos estado a acompanhar eventuais contingências que têm acontecido, e que inclusivamente nos podem levar a pedir a fiscalização do cumprimento desses serviços mínimos no período atual”, afirmou Ana Cunha.

Diário dos Açores

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Fonte
Diário dos Açores

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