Açores

Deslocação de doentes gera críticas

O PPM/Açores considera que “está instalado o caos” no processo de deslocação de doentes na região, com “mais gravidade” nos utentes que têm que realizar tratamentos no Hospital de Ponta Delgada, devido “à falta de eficácia do sistema”.

Em conferência de imprensa, realizada ontem em Ponta Delgada, Paulo Estêvão considerou que a “implementação do novo Regulamento Geral de Deslocações do Serviço Regional de Saúde começou de forma caótica e não tem vindo a melhorar. Pelo contrário, chegam-nos cada vez mais queixas, sobretudo no que diz respeito à actuação do Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada”.

Como explicou na ocasião, “o novo regulamento tinha como pedra angular do sistema a criação do Gestor do Utente Deslocado, que se configuraria, de acordo com a portaria em questão, “como uma entidade hospitalar que tem por função agilizar as deslocações dos utentes do Serviço Regional de Saúde, estabelecendo-se como interlocutor entre o Hospital e as unidades de saúde de origem, assegurando uma eficiente e eficaz programação das deslocações”. Ora, avança o deputado, “passados todos estes meses, o Gestor do Utente Deslocado não foi criado no Hospital do Divino Espírito Santo (e também no Hospital da Horta).

Nestas condições, instalou-se o caos no âmbito da deslocação de doentes, sobretudo no que diz respeito ao Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada”. Garante Paulo Estêvão que “a marcação das viagens dos doentes é realizada com muito pouco tempo de antecedência. Chega a ser realizada na véspera, mesmo as que dizem respeito a cirurgias. Nestas condições não é possível, em muitos casos, confirmar as deslocações devido à indisponibilidade de lugares nas ligações aéreas asseguradas pela SATA.

Tudo tenderá a agravar-se com o início do Verão”, assevera. O líder do PPM nos Açores diz ter “casos documentados de utentes avisados com apenas dois dias de antecedência no âmbito da realização de cirurgias. Tenho casos documentados de doentes deslocados, que uma vez chegados ao Hospital não têm consulta marcada. Tenho casos documentados de doentes deslocados que aguardam semanas entre a realização de consultas e exames, sem que exista a menor tentativa de coordenar e agilizar a realização dos respetivos actos de forma mais eficiente e menos onerosa para os utentes e para o Serviço Regional de Saúde”. O parlamentar garante que “não se trata de casos isolados. Pelo contrário, a regra no processo de deslocação de doentes é exactamente a falta de planificação e a marcação precipitada das deslocações de doentes.

Existem casos, muitos casos, em que não sendo possível realizar-se a deslocação de doentes por falta de lugares na SATA, as consultas e até as próprias cirurgias são desmarcadas. Os doentes têm, nestas situações, de aguardar a remarcação das mesmas durante mais alguns meses”. Para o parlamentar, “as diversas unidades de saúde da região, que constituem os primeiros interlocutores junto das populações, não conseguem obter informação junto dos respectivos hospitais, no sentido de a transmitirem aos seus utentes.

Do outro lado, no dos hospitais, em especial no Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, não está ninguém que possa atender, de forma célere e informada, os telefones ou até responder a emails no âmbito de assuntos relacionados com a consulta externa, a deslocação de doentes e a direcção clínica”. Neste sentido, Paulo Estêvão diz ser “urgente que o Governo Regional crie o serviço de coordenação previsto para o funcionamento eficaz do sistema: o Gestor do Utente Deslocado.

As coisas tal como estão não podem continuar. A ineficácia do sistema cria o caos e prejudica gravemente os doentes, muitos deles idosos fragilizados, a quem a ansiedade criada por este tipo de situações cria graves problemas”. Avança ainda o deputado que “no caso em apreço, a questão fundamental nem sequer é a crónica falta de recursos afectos ao Serviço Regional de Saúde.

Trata-se de incompetência. De pura incompetência. O Governo Regional não consegue montar um serviço eficaz de coordenação das deslocações de doentes entre os hospitais e os centros de saúde, que ele próprio sinalizou como imprescindível na legislação que criou para o efeito”, finalizou.

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Diário dos Açores
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