Açores

Cerca de 10% da população açoriana é diabética

Cerca de 10% da população açoriana sofre de diabetes, sendo que a faixa etária mais predominante é entre os 25 e os 70 anos.

Os dados foram avançados pelo médico de Medicina Interna do Hospital Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, Alfredo Chavez, em declarações à Rádio Atlântida, no âmbito do I Encontro Multidisciplinar do Pé Diabético, que decorreu ontem em Ponta Delgada.

“Os últimos estudos demonstram que a população adulta nos Açores apresenta valores superiores aos nacionais na prevalência de excesso de peso, de diabetes e colesterol elevado, com causas herdadas, mas, também, devido a uma alimentação rica em alimentos açucarados”, disse o médico.

Alfredo Chavez adiantou que “a diabetes atinge 70% das pessoas entre os 25 e os 70 anos e considera-se que 10,1% dos açorianos sofre de diabetes”, acrescentando que “mesmo assim, nem todos os diabéticos têm problemas nos pés ou muitos deles, ainda, não sabem e já têm”.

O especialista diz que “é preciso ter a diabetes descompensada por mais de cinco anos ou a diabetes parcialmente controlada há mais de 10 anos para que se iniciem as alterações nos pés”.

Há dez anos que o maior hospital dos Açores tem a consulta do pé diabético, tendo o médico referido que antes os problemas nos pés não eram valorizados, afirmando que “todos os diabéticos, tarde ou cedo, vão desenvolver algum tipo de problema nos pés”, frisando ainda que essa consulta veio melhorar os resultados.

Alfredo Chavez adiantou ainda à Rádio Atlântida que a taxa de incidência de doentes homens e mulheres com pé diabético é “similar”, embora haja “um ligeiro aumento” no sexo masculino, por este ter trabalhos físicos mais exigentes.

Assim sendo, esta primeira edição do Encontro Multidisciplinar do Pé Diabético teve como propósito assinalar os 10 anos daquela consulta no Hospital de Ponta Delgada e alertar todas as pessoas da área da saúde e público em geral para “esta problemática exponencialmente crescente e preocupante”.

Outra das finalidades foi reunir di- versos especialistas das várias áreas da medicina, de forma a reduzir os problemas nos pés e evitar as amputações.

“A consulta é altamente especializa- da, na qual existem as especializadas de cirurgia vascular, geral, ortopedia, medicina hiperbárica e interna”, revelou o médico, acrescentando que “o que mais queremos transmitir às pessoas que assistem a esse congresso é que temos de focar o problema ao nível do atendimento primário do doente, porque é essencial que os médicos de clínica geral ou os enfermeiros que trabalham nos centros de saúde consigam fazer um diagnóstico a um doente mais apurado e o mais rápido possível e que este seja referenciado para a nossa consulta”, explica o médico, dizendo que “isso vai fazer com que tenhamos uma menor incidência de cirurgias e eventos catastróficos, como é a amputação de um pé ou de uma perna”.

O evento contou com diversos palestrantes médicos do Hospital de Ponta Delgada, da Unidade de Saúde da Ilha de São Miguel (USISM) e do continente.

Formigueiro, sensação de ardume nos pés e sensação que os pés não são da pessoa são os sintomas iniciais da perda de sensibilidade, deixando, depois, de ter sensação de dor, de temperatura e de pressão.

Mais tarde, esses sintomas fazem com que o diabético desenvolva úlceras que podem levar à amputação. Outro dos sintomas é a alteração macrovascular “em que diminui consideravelmente a circulação dos pés”, conhecida como pé isquémico.

Alfredo Chavez alerta os diabéticos para que façam uma “revisão anual” com o seu médico de Medicina Geral e Familiar para “determinar o tipo de problema que têm”, afirmando que é um “exame simples e rápido”.

O especialista chama a atenção para que os doentes “olhem para todas as partes dos pés, entre os dedos, evitar a humidade entres eles para que não apareçam fungos; manter um bom cuidado das unhas, para que não firam os dedos vizinhos; utilizar um sapato apropriado para que não provoque uma aparição de úlceras; manter uma limpeza diária, com aplicação de cremes para manter os pés hidratados; e, principalmente, recorrer ao médico sempre que aparecer qualquer alteração”.


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Diário dos Açores
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