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Alterações climáticas trazem tubarão-baleia ao mar da Região

Alterações climáticas trazem tubarão-baleia ao mar da Região-Milenio Stadium-Açores
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Um estudo de investigadores da Universidade dos Açores revela que o tubarão-baleia é cada vez mais avistado no arquipélago. Uma situação que pode dever-se às alterações climáticas e ao aumento da temperatura no Atlântico Norte Central.

“Aquilo que despertou a nossa curiosidade foi o facto de em 2008 ter havido uma ocorrência absolutamente excepcional do número de tubarões-baleia e esse ano foi um ano excepcionalmente quente na temperatura da água da Região durante o pico do verão. Achámos de facto que havia uma associação clara entre as temperaturas mais quentes do ano e a ocorrência do tubarão-baleia”, explicou o investigador Pedro Afonso, que lidera o estudo.

A investigação incidiu na análise de dados recolhidos por observadores a bordo de embarcações atuneiras na região, durante a safra de pesca ao atum, ao longo dos últimos 16 anos, e foi publicado recentemente na revista científica “Plos One”.

Segundo Pedro Afonso, esta espécie migratória habita normalmente em águas tropicais. Num cenário de alterações climáticas, poderá escolher cada vez mais os mares dos Açores como habitat. “Na eventualidade de possíveis cenários de aquecimento global, nomeadamente de aquecimento das águas na nossa região, é possível que a probabilidade de avistamento desses animais aumente”, disse.

O investigador defende que se deve continuar a estudar o fenómeno para se obter “conclusões mais robustas” ou para responder a outras questões, como, por exemplo, o facto de “os Açores serem uma das poucas regiões do mundo onde só há agregação de indivíduos (tubarão-baleia) sexualmente maturos”.

“Estes dados são apenas de avistamento, portanto este trabalho deve ser complementado com outros trabalhos, aliás, que já estamos a fazer há três anos em colaboração com colegas dos Estados Unidos, com marcações de satélite para saber para onde os animais vão quando deixam a Região”, disse Pedro Afonso.

O investigador lembrou que, a verificar-se cada vez maior presença do tubarão-baleia, usualmente conhecido nos Açores como pintado, a região tem uma maior responsabilidade no que toca à preservação da espécie.

O tubarão-baleia é o maior peixe do mundo, tem entre oito a dez metros e pode pesar mais de 13 toneladas. Mergulha a grandes profundidades, podendo chegar aos 1900 metros, mas é inofensivo para o homem, alimentando-se de pequenos peixes e de plâncton.

Nesta altura do ano pode aproximar-se da costa da ilha de Santa Maria, onde a temperatura da água é superior, representando, na óptica do investigador, um contributo para o turismo na Região Autónoma dos Açores.

Diário dos Açores

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Diário dos Açores

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