Açores

Açores com taxa mais baixa do país em voluntariado

A taxa de voluntariado no país em 2018 foi de 7,8%, tendo cerca de 695 mil pessoas da população residente com 15 ou mais anos participado em, pelo menos, uma actividade formal e/ou informal de trabalho voluntário, revelou ontem um estudo do INE.

A taxa de voluntariado feminina foi superior à masculina (8,1% vs. 7,6%). O escalão etário predominante foi o dos 15-24 anos (11,3%). A participação no trabalho voluntário aumentou progressivamente com o nível de escolaridade (15,1% nos indivíduos com ensino superior). A taxa de voluntariado foi superior nos indivíduos desempregados (10,5%) e solteiros (9,1%).

1,6% dos açorianos no voluntariado

Reflectindo em grande medida a distribuição regional da população, a região Norte concentrou quase um terço do total de voluntários (32,4%), seguindo-se a Área Metropolitana de Lisboa (28,3%), Centro (25,1%), Alentejo (6,8%), Algarve (3,7%), Região Autónoma da Madeira (2,0%) e, com a menor concentração, a Região Autónoma dos Açores (1,6%).

Nas taxas de voluntariado por região NUTS II, observou-se que duas regiões apresentaram taxas de voluntariado acima da média do país (7,8%): a região Centro (8,9%) e a Área Metropolitana de Lisboa (8,3%).

As taxas de voluntariado mais baixas observaram-se nas Regiões Autónomas dos Açores (5,5%) e da Madeira (6,4%).

Comparação internacional

A comparabilidade internacional dos dados sobre trabalho voluntário é dificultada pela inexistência de metodologias harmonizadas e de informação para o mesmo período de referência.

Em 2015, o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (ICOR) incluiu um módulo sobre participação social e cultural, no âmbito do qual se questionou a participação em actividades de voluntariado e de cidadania activa.

Esta fonte de informação foi considerada como referência possível para a comparação internacional da taxa de voluntariado formal, pela sua abrangência e actualidade.

As taxas de voluntariado formal mais elevadas foram observadas no norte da Europa, com destaque para a Holanda (40,2%) e a Dinamarca (38,1%).

No extremo oposto, surgem a Roménia (3,2%) e a Bulgária (5,2%).

Portugal, considerando os dados do ITV 20181, antecedeu a Bulgária, com uma taxa de voluntariado formal de 6,4%, distante da média da UE-28 (19,3%).

Taxa aumenta com nível de escolaridade

A participação no trabalho voluntário aumenta progressivamente com o nível de escolaridade, tendo-se observado que a taxa de voluntariado foi de 15,1% para os indivíduos com ensino superior.

Taxa maior nos desempregados

A taxa de voluntariado foi maior na população desempregada (10,5%), seguindo-se a população empregada (8,8%) e os inactivos (6,3%).

Traçando um perfil socio-demográfico sintético do voluntário, poderá afirmar-se que, nas actividades de trabalho voluntário formal, destaca- ram-se os indivíduos mais jovens, desempregados, com níveis de escolaridade mais elevados, do sexo feminino e solteiros.

No trabalho voluntário informal prevaleceram indivíduos em escalões etários mais elevados, com níveis de escolaridade elevados, desempregados, do sexo feminino e divorciados/ separados.

As taxas de voluntariado regionais oscilaram entre 5,5% na Região Autónoma dos Açores e 8,9% na região Centro.

O voluntariado formal foi sobretudo direccionado para os serviços sociais (36,2%), as organizações da cultura, comunicação e actividades de recreio (15,7%) e da religião (15,7%).

Enquanto no voluntariado formal as principais tarefas foram equivalentes às de técnicos e profissões de nível intermédio (34,5%), no voluntariado informal predominaram as tarefas equivalentes às de trabalhadores dos serviços pessoais, de protecção e segurança e vendedores (49,3%).

Estima-se que as horas trabalhadas no âmbito de acções de voluntariado tenham correspondido, em 2018, a cerca de 2,9% do total das horas trabalhadas.

Recorrendo a diferentes metodologias habitualmente utilizadas internacionalmente para a valorização do trabalho voluntário não remunerado, obtiveram-se valores entre 0,4% e 0,8% do PIB nacional em 2018.

Mais mulheres que homens

A percentagem de mulheres que realizaram trabalho voluntário foi superior à dos homens (55,0% vs. 45,0%), o que correspondeu a cerca de 382,3 mil mulheres envolvidas em, pelo menos, uma actividade de trabalho voluntário.

A taxa de voluntariado das mulheres (8,1%) foi superior à dos homens (7,6%), tanto no contexto formal (6,5% vs. 6,4%), como no contexto informal (1,7% vs. 1,3%). Contudo, os homens asseguraram um total de horas de trabalho voluntário ligeiramente superior ao das mulheres (50,7% vs. 49,3%).


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Diário dos Açores
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