Açores

Açores foram os únicos com saldo migratório negativo

Os Açores foram a única região do país que tiveram no ano passado um saldo migratório negativo: menos 974 pessoas.

O continente teve um saldo positivo de 12.156 pessoas e a madeira, também positivo, de 388 habitantes.

O INE divulgou ontem os dados relativos a 2018, revelando que a população residente em Portugal caiu no ano passado, pelo nono ano consecutivo, mesmo com um saldo migratório que foi mais uma vez positivo.

A população portuguesa está a diminuir desde 2010, depois de pelo menos 18 anos de aumentos consecutivos.

De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, a população portuguesa diminuiu para 10.276.617 pessoas em 2018, menos 14,4 mil que em 2017, mesmo com um saldo migratório mais positivo do que o verificado no ano passado.

A tendência de redução da população que se tem vindo a verificar desde 2010 — agravada no período entre 2011 e 2014 devido ao saldo migratório especialmente negativo — manteve-se em 2018, porque a diferença entre o números de pessoas que nascem e as que morrem foi a mais negativa, pelo menos, dos últimos dez anos.

Esta redução deve continuar nos próximos anos, uma vez que o envelhecimento da população se está a acentuar.

A população com menos 15 anos diminuiu em 16,3 mil e a população com 65 anos ou mais aumentou em 30,9 mil.

Em 2018, uma em cada duas pessoas tinha mais de 45,2 anos, mais 4,4 anos que na década passada. Segundo o INE, a população jovem poderá cair para menos de 1,4 milhões já este ano e a tendência é que continua a diminuir, podendo baixar da fasquia de um milhão de pessoas em 2074.

Já a população idosa pode aumentar em cerca de 600 mil até 2080, isto num cenário em que Portugal perderia 2,4 milhões de habitantes até essa altura.

De facto, a redução da população em 14,4 mil pessoas traduz uma taxa de crescimento efectivo negativa que se mantém constante desde 2010, ainda que, nos últimos dois anos, e porque estão a entrar mais imigrantes, por um lado, e a sair menos portugueses para viver e trabalhar lá fora, por outro, o decréscimo tenha desacelerado ligeiramente.

Quanto aos imigrantes, o país passou de 36.639 entradas em 2017 para as 43.170 do ano passado, num aumento a que não deverá estar alheia a chegada de muitos brasileiros ao país.

Quanto à natalidade, nasceram no ano passado mais bebés: 87.020, contra os 86.154 do ano anterior. Porém, foram muitos mais os que morreram: 113 mil em 2018, contra os 109,7 de 2017, o que bastou para voltar a agravar o saldo natural negativo.

O número médio de filhos por mulher em idade fértil atingiu os 1,41 (muito longe, portanto, dos 2,1 filhos por mulher que seriam necessários para garantir a substituição das gerações), mas ainda assim bastante acima dos 1,21 filhos registados no pico da crise social e económica, em 2013.

Numa década, entre 2008 e 2018, a idade média das mulheres ao nascimento do primeiro filho aumentou 2,1 anos.

Dito de outro modo, no ano passado, as mulheres tinham 29 anos de idade e oito meses em média quando foram mães pela primeira vez.

O aumento da longevidade e a baixa natalidade somadas continuaram a contribuir para o agravamento do envelhecimento demográfico.

No ano passado, as pessoas com 65 e mais anos de idade já representavam 21,8% do total da população portuguesa. Mais: dos 2,2 milhões de pessoas que tinham já dobrado a esquina etária dos 65, 13,8% somavam já 85 ou mais anos de idade.

Em 2018, a idade mediana da população portuguesa fixou-se nos 45,2 anos, isto é, metade da população residente tinha mais de 45,2 anos, contra a outra metade que ficava abaixo dessa idade. Na última década, essa idade mediada, que divide a população em dois grupos de igual dimensão, aumentou 4,4 anos (era de 40,8 anos em 2008).

Se nos quisermos comparar com a União Europeia (UE), temos que recuar a 2017, que é o último ano com dados comparáveis entre os diferentes países.


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Diário dos Açores
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