África

(pré)Textos: Uma “fralda” chamada JOMAV!

A Guiné-Bissau é, convenhamos, a vergonha política (ou a política da vergonha!) da Lusofonia. E se é a vergonha da Lusofonia, então é certo e seguro que o sonho de Amílcar Cabral (o pai da Independência de Cabo Verde e da Guiné-Bissau) virou pesadelo. (….)

Os deputados à Assembleia Nacional Popular (Parlamento), pelo Partido Africano para Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAIGC), querem ver o presidente da República, José Mário Vaz (JOMAV), pelas costas. O atual Presidente da República não foi na “conversa” e, por sua conta e risco, desatendeu a deliberação dos representantes do povo bissau-guineense. Porquê? Porque durante cinco anos JOMAV constatou que o poder é, de facto, como um afrodisíaco e que quando se prova quer-se sempre mais e mais.

Daí o facto de querer agarrar-se à Presidência da República, qual “carrapato em pele de boi” que (com o peito inchado de estulta ufania e arrogância boçal, arrimada no abuso puro e duro de poder) diz “daqui não saio, daqui ninguém me tira!”.

As manigâncias de JOMAV desencadearam uma crise política que demandou a intervenção da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), o que me leva a concluir que a Guiné-Bissau ainda é um Estado frágil e imaturo que ainda não consegue andar pelo próprio pé.

A Guiné-Bissau é, convenhamos, a vergonha política (ou a política da vergonha!) da Lusofonia. E se é a vergonha da Lusofonia, então é certo e seguro que o sonho de Amílcar Cabral (o pai da Independência de Cabo Verde e da Guiné-Bissau) virou pesadelo. O quadro político hodierno da Guiné-Bissau impele-me a formular o seguinte juízo de valor: aquele país tropical da costa atlântica ocidental de África é um pedaço de chão lusófono onde a selvajaria fala mais alto pelo facto de, por exemplo, os camponeses entenderem-se melhor que os políticos que são contrários à decência moral e cívica.

Tivesse JOMAV “fairplay” político e democrático, a Guiné-Bissau não teria a necessidade de voltar a envergonhar a Lusofonia. Tivesse em conta as regras da sensatez política, democrática e conhecesse a vida e obra de Eça de Queirós, saberia da frase lapidar glosada por este importante escritor português, segundo a qual os “políticos e as fraldas devem ser trocadas de tempos em tempos pelo mesmo motivo (sic!)”.

Aqui chegados, apraz-me perguntar: Qual é, afinal, a parte da frase atribuída a este cultor do género romance realista português do século XIX que o presidente da Guiné-Bissau não entende(u)?


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