“Paguei 1000 dólares para fazer parte do Projeto Piloto”

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Humberta Araujo

O Milénio inicia aqui uma série de entrevistas com pessoas indocumentadas, que garanta o seu anonimato e integridade dos seus processos, pois muitas destas pessoas sem estatuto, que foram burladas, acabaram por mudar de advogados, tendo algumas delas feito queixa à Ordem dos Advogados, como foi o caso desta nossa indocumentada, que lhe iremos chamar MadalenaL, que com o companheiro, encontra-se agora em situação ilegal.
Queremos, com esta filosofia atrair histórias de vítimas, preservando a sua identidade e o anonimato das nossas fontes, o que vai possibilitar que outras pessoas sintam coragem, para trazerem a público as suas experiências.

Milénio Stadium – Madalena, a vossa chegada aqui ao Canadá foi através de um contrato de trabalho, que depois de terminar, não foi renovado. A Madalena e o seu companheiro decidiram encontrar uma solução. No teu processo falaram-te de um “Pilot Project”, que resolveria a vossa situação.
MadalenaL – Foi-nos proposto um advogado, Richard Boraks. Ele e a sua assistente Alzira começaram a falar-nos, em finais de 2016, de um acordo que iriam fazer com a imigração. Porém, foi só em fevereiro de 2017, que ambos nos anunciaram o Pilot Project, e que, até ao final do ano já haveria famílias imigrantes, principalmente quem trabalhava na construção no projeto. A nós, só nos pediram uma “money order” no valor de $1100. Os $1000 foram para o processo no tribunal.

MS- Ficaste surpresa em saber que, segundo o ministro da imigração atual, não há, nem nunca existiu um Pilot Project, para as pessoas que se encontram indocumentadas?
ML – Sim, claro que fiquei, embora já estivesse desconfiada que algo de estranho se passava. Fiquei surpresa, pois o Boracks deu-nos a palavra dele, de que este “Pilot Project” iria para a frente. Nunca me disseram que o projeto não existia na prática, antes pelo contrário. Eles sempre nos deram muitas esperanças. Aliás, eles disseram que este projeto piloto era para trabalhadores indocumentados, que tivessem tido “work permit” e que tivessem falhado o exame de inglês.

MS- Porque decidiste fazer queixa à Ordem dos advogados contra o senhor Richard Boraks?
ML – Decidi fazer queixa porque acho que desde 2012 ele nunca foi honesto conosco e sempre nos deu esperanças, além de já ter pago adiantado pela residência permanente sem a termos obtido. E agora estamos sem estatuto com todos os atrasos e promessas falsas.

MS- Vocês decidiram depois de seis anos e milhares de dólares gastos recorrer a outro advogado, que parece ter ficado muito surpreendido com a forma como o teu processo foi tratado.
ML – Sim. Mas não quero, como deve perceber dar muitos pormenores até termos o nosso caso resolvido. Mas depois iremos dar toda a informação. Mas, neste momento, estamos positivos em relação ao nosso futuro no Canadá.

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