Governo vs. Comité dos Indocumentados – Onde está a verdade?

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Manuel DaCosta

O Jornal Milénio, achou por obrigação trazer a público, numa investigação jornalística, o caso de trabalhadores luso-canadianos indocumentados.
Muitas destas pessoas indocumentadas, encontram-se a trabalhar no Canadá há muitos anos de forma ilegal, sem uma resolução da situação à vista. Em 2016, um grupo de luso canadianos e outros indivíduos interessados nesta problemática, formaram uma comissão para trabalharem, em conjunto com o governo da altura, no sentido de resolverem as condições de ilegalidade, em que vivem estes trabalhadores.

Esta comissão, foi formada por vários membros da nossa comunidade e outros elementos, nomeadamente advogados, consultores e políticos.
A única condição exigida era a de que este projeto fosse feito em segredo e sem ser divulgado aos órgãos de comunicação social. Em termos de formato, o mesmo pretendia juntar trabalhadores indocumentados, que sob o anonimato poderiam dar toda a sua informação ao governo canadiano, por forma a que pudessem ter oportunidade de se candidatarem para a sua legalização, através de uma avaliação adequada. Todavia, neste processo, não ficava garantida a legalização das pessoas que aderissem ao programa. A minha empresa (Viana Roofing) foi contactada para fornecer nomes de trabalhadores nesta situações, pedido que foi também feito aos sindicatos. A minha empresa decidiu não cooperar, porque não havia garantias de legalização dos trabalhadores, nem da proteção da informação dos mesmos. O projeto continuou em segredo, é só recentemente se veio a saber, que realmente não houve resultados positivos. O que transpirou deste processo foi muito negativismo. Todavia, o governo canadiano nega agora que, alguma vez, este projeto existiu. Esta comissão, e segundo as afirmações neste jornal publicadas, de um dos seus membros, o Sr. Manuel Alexandre, esse projeto existiu, embora o governo esteja a negar uma verdade.

O advogado Richard Boraks, que é membro desta comissão, está claramente em conflito de interesse, pois usou a comissão para recrutar clientes e ganhar dinheiro. O deputado Peter Fonseca, nega em entrevista que aqui publicamos, que esse projeto exista, mas cooperou continuamente com a comissão, incluindo encontros em Otava. Este é um caso vergonhoso, e é mais um exemplo no qual os políticos usam pessoas vulneráveis e sem proteção para o seu próprio interesse. Quem é que defende o trabalhador da ganância dos advogados, dos políticos oportunistas e de membros da comunidade sem escrúpulos? A verdade é que o projeto existiu em segredo, e só agora é que se começa a saber que muitas pessoas indocumentadas foram usadas, enquanto agora todos se escondem.

O que é que o governo vai fazer com a informação que obteve dos indocumentados que foram enganados? Alguém tem de assumir responsabilidade. Os indocumentados merecem no mínimo a assunção de reponsabilidades por parte de alguém. Estes trabalhadores têm contribuído muito, para este país ser o que é, e foram e continuam a ser usados. Tem que haver justiça.

 

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