“Encontrei aqui dos melhores folclores que já vi”- Toy em entrevista à Camões Radio

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Joana Leal

O que é que te traz a Toronto?
Os amigos sobretudo. Eu costumo dizer que antes de ser cantor era pessoa. Já visitei os cinco continentes mas o Canadá é o único país que visito e que nunca fico hospedado em hotel. Fico sempre em casa do meu amigo Carlos Miranda. No início foi a música que me trouxe cá mas agora são sobretudo os amigos. Para mim o Canadá é o país de referência da América do Norte.
Como é que achas que os portugueses vivem aqui a sua portugalidade?
A cultura popular são as nossas raízes. Isto para dizer que aqui no Canadá encontrei dos melhores folclores que já vi. Encontrei também uma comunidade açoriana que eu desconhecia, muito forte, muito aguerrida e muito corisca. E digo isto com muito carinho porque o meu filho nasceu na Alemanha e não é por isso que deixa de ser português. Encontrei aqui amor a Portugal.

És sadino?
Sou sadino de alma e coração. Mas se Setúbal é a minha cidade eu tenho várias amantes. Fui sendo adotado ao longo da minha carreira. Até nos Açores, só me falta conhecer o Corvo.

Tu começaste a cantar antes de falar?
A minha mãe dizia-me muitas vezes isso. A música nasceu comigo, é inacto.

Muitos dos artistas esquecem-se de quem os faz.
É verdade, só existo como cantor porque tenho pessoas que gostam de me ouvir. Há dois tipos de humildade: há aquelas pessoas que são humildes porque são mesmo e aqueles que dá jeito ser humilde porque está na moda. Quando me fazem uma pergunta eu respondo logo, quem diz a verdade não precisa de pensar.

Toy durante a visita na Camões Radio em Toronto

És compositor, autor, intérprete e produtor…
Vou dar-te um exemplo. O Frank Sinatra nunca foi compositor, era apenas cantor. Eu faço canções para vozes que valorizam a canção. Por exemplo, fiz “Dois corações unidos” para o Beto mas se eu fizer uma canção para o José Malhoa ou para a Lara Lee não vou seguir o mesmo estilo.

Qual é a tua opinião sobre a vaga de plágios que assola a indústria musical em Portugal?
Raramente se inventa hoje em dia, nós conseguimos é reinventar. É muito natural que às vezes uma música nos faça lembrar outra. Agora nós podemos fazer como a Madona. Ela assumiu que a música era sua e que a introdução era dos ABBA. Por exemplo os jovens às vezes cantam músicas que não são suas e depois corre mal. Em relação ao Diogo Piçarra que está a ser acusado de plágio, eu ainda não ouvi a música, mas este tipo de casos pode acontecer. Mas só quem não cria é que não é acusado de plágio. Eu próprio não sei se amanhã vou criar uma música e depois vou dizer “Espera lá, eu acho que já ouvi isto em algum lugar”.

“Coração não tem idade” é o teu último trabalho.
Esse álbum já foi lançado há um ano. Tem umas baladas românticas muitíssimo bem elaboradas, na minha opinião e todas elas são da minha autoria. Tem um remix do “Rosa negra” que foi um sucesso tremendo. Tenho o “Coração não tem idade” que é um tema um bocadinho antidepressivo. Imagina que tens 40 anos e que o teu marido te deixou. A música diz para te soltares e para continuares a viver. Temos que ter a disponibilidade mental para perceber que a vida nunca acaba enquanto existe. Não podemos desistir só porque algo correu menos bem.

Tens algum projecto na manga?
Eu estou sempre a trabalhar mas este ano tenho 41 concertos marcados, fora as digressões. Neste momento é preciso muita coordenação e isso parece fácil mas não é.

Gostas de cantar em playback?
Eu gosto é de dar espetáculo. Tenho várias opções, posso pegar numa guitarra, mas se me perguntares o que é que preferes digo-te que gosto mais de ter os músicos atrás de mim. Mas adapto-me, sou como os cabos UBS, posso ligar à ficha ou não.

Queres deixar uma mensagem para os nossos ouvintes.
Acho que a vida se movimenta com uma máquina chamada amor. Se bem que alguns preferem o ódio. Mas quando assim é essas vidas terminam antes de começarem. Portanto a verdadeira vida é o amor por isso é que digo sempre que antes de tomarem qualquer atitude na vida lembrem-se do amor.

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