(The Canadian Press/Sean Kilpatrick)

Censos aponta que os canadianos trabalham mais tempo

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Os canadianos estão a esforçar-se mais na sala de aula, a pôr mais tempo no trabalho e a perder mais tempo na estrada quando se deslocam para o local de trabalho, diz a Estatísticas Canadá no mais recente lote de números do Censos de 2016.

Os dados divulgados na quarta-feira mostram que mais de metade da principal população trabalhadora do Canadá – aqueles com 25 a 64 anos – obteve licenciaturas ou diplomas de uma faculdade ou universidade, a maior taxa entre países da OCDE comparáveis, um grupo que inclui os Estados Unidos.

Quando se trata de louros educacionais, as mulheres parecem estar a eliminar a lacuna em relação aos homens: elas representaram agora metade de todos os mestrados em 2016 e quase metade de todos os doutoramentos obtidos entre os jovens de 25 a 34 anos.

A diferença salarial, no entanto, persiste. Em Saskatchewan, por exemplo, um homem com um certificado de aprendizagem beneficiou de um salário médio de 86 059 dólares, cerca de 13 mil dólares mais que uma mulher com um diploma universitário.

Um quinto dos idosos com mais de 65 anos permaneceu na força de trabalho em 2016, o dobro da taxa de 1996, enquanto que a media do salário para trabalhadores a tempo inteiro aumentou 30% na última década. No outro extremo do espectro etário, a taxa de emprego para os canadianos com 15 a 24 anos de idade, caiu quase seis pontos percentuais em relação a 2006.

E um outro dado: deslocar-se para o local de trabalho não está a ficar mais rápido. A “viagem para o trabalho” aumentou em todo o Canadá no ano passado, mesmo com um maior número de canadianos a optar por usar a rede de transporte público para o seu trajeto diário.

A informação de quarta-feira, que a Estatísticas Canadá vem preparando desde fevereiro, ilustra como a vida evoluiu desde 2011 para os 35,15 milhões de pessoas do Canadá.

Há mais pessoas com mais de 65 anos do que menos de 15 anos, numa mudança histórica; os imigrantes estão a liderar o crescimento da população e da força de trabalho; há mais pessoas indígenas do que nunca e, em média, elas são mais jovens do que o resto do Canadá; e os jovens canadianos vivem mais tempo em casa.

Então, para onde vamos a partir daqui?

A percentagem da população com mais de 65 anos deverá crescer de 16,9 por cento para 23 por cento até 2031, enquanto a proporção de crianças menores de 15 anos e as categorias da população em idade ativa diminuem.

Os canadianos mais velhos permanecem mais tempo no mercado de trabalho, alguns porque podem, outros porque precisam.

Os números de quarta-feira mostram um aumento de 31 por cento no número de profissionais de saúde desde 2006 – uma coisa boa, dado o envelhecimento dos baby boomers, disse Julien Picault, instrutor sénior de economia da Universidade da Colúmbia Britânica.

Substituir os trabalhadores que se aposentam dependerá dos imigrantes, que estão a conduzir o crescimento populacional face a baixas taxas de fertilidade. A proporção de imigrantes na população poderá chegar a 30 por cento até 2036, acima dos 21,9 por cento registados em 2016.

Aqueles que vêm para o Canadá são altamente educados – eles têm taxas de educação pós-secundária mais do que o dobro dos seus homólogos nascidos no Canadá – e já contam para metade ou quase metade da força de trabalho em grandes centros como Toronto e Vancouver.

Michael Haan, professor de sociologia da Western University em London, Ontário, disse que é hora de Otava colocar um plano a funcionar para conduzir novos canadianos para as comunidades rurais a precisar de população.

Como é habitual, o Censos oferece apenas um instantâneo no tempo, e as projeções trazem uma advertência: a política pública, a economia e a mudança das normas sociais, entre outros fatores, sempre podem causar uma correção do curso.

A mudança de atitudes públicas e políticas em relação à imigração pode afetar as estimativas da população, observou Haan. As negociações comerciais norte-americanas podem mudar a face do mercado de trabalho. E o advento do retalho online pode trazer mudanças sísmicas para as 626 775 pessoas que trabalhavam no setor de venda a retalho no ano passado, a ocupação mais comum registada pelo recenseamento.

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